O poder de gerir o eu – Parte V

Sábado, 07 de Dezembro de 2019.

  O poder de gerir o eu – Parte V É sabido que ainda temos muito o que aprender ao nosso respeito. Vivemos em um mundo povoado por “eus”. Podemos ficar felizes, tristes, com raiva, medo, angústia, assustados e em meio um emaranhado de emoções. As variadas emoções influenciam no nosso modo de pensar e agir, podendo levar até mesmo a reações fisiológicas. O organismo ao se deparar com o agente estressor, que pode ser interno ou externo, acaba por desenvolver um processo conhecido como “Síndrome da Adaptação Geral” (SAG), Seye (1995) que consiste no somatório de todas as reações sistêmicas, que não são específicas e que surgem quando o organismo está, por muito tempo ou intensamente exposto ao estímulo agressivo. Estudos revelam que temos emoções básicas: medo, felicidade, tristeza, aversão, raiva e surpresa. Essas emoções não são consideradas emoções conscientes por muitos estudiosos, tendo início antes mesmo de termos consciência, isso as torna ainda mais difíceis de se controlar. Temos conhecimento de que temos pouco controle consciente sobre nossas reações emocionais, que normalmente são tão fortes que dificilmente conseguimos escondê-las e até mesmo controlar os nossos comportamentos. As emoções não são sentidas apenas de forma interna, mas contemplam reações espontâneas – choro, riso, enrubescimento da face, por exemplo -, expondo nossas emoções. Sofremos influencias do nosso contexto existencial e respondemos a isso, entretanto temos também emoções conscientes, que são reflexos do mundo das ideias, dos atos de pensar e de jogar nos campos dos pensamentos. Um fato curioso é que as emoções podem ser fortes ao ponto de anular impulsos básicos. Por exemplo, a tristeza pode minar o desejo por viver, mesmo sentindo fome uma pessoa pode deixar de comer se o alimento lhe causar aversão. Diversos estudos são realizados com o intuito de compreender as emoções, porém não é um universo simples de se decifrar. Por mais estudos e técnicas realizadas não é fácil esconder as emoções de nós mesmos e das pessoas. Mesmo que tentemos manter uma postura impassível, alguns sinais – microexpressões – podem revelar nossos verdadeiros sentimentos. Esses sinais são bem reconhecidos por jogadores de pôquer experientes, bem como por pessoas que analisam de forma mais analítica os comportamentos humanos e que buscam nos gestos menos perceptíveis as respostas desejadas. Contrário de nossas emoções, podemos exercer controle sobre diversos tipos de pensamentos sentimentais e escondê-los dos outros. Mesmo com inúmeros estudos realizados, ainda não chegaram a um consenso em relação de como as emoções estão ligadas a nossas reações físicas, nossos pensamentos conscientes, inconscientes e nossos comportamentos. Mas sabemos que o estado físico interfere no estado mental e vice-versa. Alguns estudos chegaram à conclusão de que nossas expressões influenciam o nosso estado de ânimo. Num estudo, determinados indivíduos tinham que sorrir ou fechar a cara enquanto liam gibis, pensando que estavam participando de uma experiência de avaliação dos músculos faciais. Quando questionados sobre as revistas, os que haviam sorrido acharam as histórias mais divertidas do que os que tinham ficado com as expressões mais fechadas. Todo comportamento é resultado de ações mentais e físicas. Todo comportamento é resultado de um estado, que deriva de nossas ilustrações internas e da condição e uso de nossa fisiologia. No campo das ilustrações internas temos a nossa voz interior. Essa voz é o reflexo de como criamos ilustrações, representamos no mundos das ideias e de como falamos, ouvimos e interpretamos em nossa mente. A voz é um retrato 3x4 da imensidão universal da mente. Dominando a voz pode-se criar um novo cenário em 3D. No lado da fisiologia temos que levar em consideração nossa tensão muscular e respectivo relaxamento, respiração, bioquímica, alimentação saudável, postura e energia. Os comportamentos por sua vez são nossas ações no meio externo, desde o ato físico de fazer algo, enrubescimento ou pele menos corada, respiração e claro a ação de falar, que se liga a nossa capacidade de comunicação. É notório que temos a capacidade de criar estados e comportamentos. Podemos nos inserir em estados mais empobrecedores ou enriquecedores. O que imaginamos e dizemos para nós no mundo das ideias proporcionam o estado em que ficamos e os comportamentos que produzimos. De forma sintetizada refletimos de dentro para fora, assim como podemos refletir de fora para dentro. Podemos representar preocupação por uma pessoa estar atrasada para chegar em casa levando em consideração os riscos do trânsito. Podemos esperar por uma surpresa positiva criando expectativas. Podemos imaginar que estamos sendo traídos e nos colocar em um estado empobrecedor ou podemos simplesmente pensar que existe um bom motivo para o atraso e entender que não vale a pena o desgaste e ficar gastando tempo e energia com pensamentos insalubres sem provas do que de fato pode ter acontecido. Vivemos em um mundo repleto de “podemos”. Se estivermos sofrendo uma traição, será que vale o desgaste sem ter a certeza? De uma outra perspectiva podemos levar em consideração que a pessoa pode não ter feito nada de errado, porém devido as nossas ilustrações mentais e ações pode vir a sentir vontade de estar com outra pessoa! Ficar remoendo mentalmente uma traição por exemplo é um ato sabotador que nos intoxica. Se ilustrarmos que estamos sendo passados para trás iremos nos colocar em um estado de angústia, raiva, fúria e dor. Provavelmente o tratamento com a pessoa que os envolvemos será improdutivo e negativo. Se agimos com ciúmes é porque criamos esse estado em nós mesmos. Você pode modificar essa imagem de estar sendo traído para uma na qual a pessoa encontrou dificuldades no decorrer do caminho. Agindo dessa forma o cenário mudará, você irá se comportar de outro modo e a pessoa até então praticamente condenada a forca irá se sentir querida e, desse modo terá mais desejo de estar junto a você.Quais os verdadeiros tamanhos dos seus problemas pescador? Esses peixes são mesmo desse tamanho todo? As ondas menores têm ganhado proporções de maiores? Essas representações acontecem no trabalho, em uma entrevista de emprego, nas negociações, na vida social, amorosa, financeira e etc. Acontece constantemente porque acontece nos pensamentos e ações das pessoas. Tendemos a não ter melhores resultados se representarmos e agirmos da forma errada. É difícil ser compreendido se visto apenas pelo lado de fora, no entanto é viável que se olhe para o eixo e o peso da balança em busca de um bom equilíbrio. Seja forte e corajoso. Não se apavore nem desanime.

Por Jhean Garcia