O que fizemos com a tão sonhada liberdade?

Sábado, 03 de Fevereiro de 2018.

Contemporâneo e participante ativo no clamor da população brasileira reivindicando direitos políticos, direito de eleger nossos representantes legislativos, liberdade de expressão, entre outras pautas de cidadania fervilhantes nos movimentos estudantis dos idos anos de 1970, vejo-me preocupado e frustrado ante o atual status quo das nossas instituições. Questiono: O que fizemos com a tão sonhada liberdade? Confesso-me inseguro com possível horizonte sombrio que se prenuncia a cada momento, decorrente da nossa falta de maturidade, enquanto sociedade que não soube aproveitar o poder que conquistou ao longo de lutas incansáveis de muitos que pagaram com a própria vida, tão significativa vitória.
Lutamos pelo direito de acesso à educação de qualidade para nossas crianças, e hoje nossas escolas públicas estão caindo aos pedaços, sem água, saneamento, merenda escolar, recursos didático-pedagógicos básicos, insólitas perspectivas de horário integral e ensino inclusivo, indistinto, atendendo crianças com e sem deficiência. Professores mal remunerados, desmotivados, agredidos, inseguros, tanto pela discriminação que sofrem pelo descaso das autoridades quanto pela violência urbana provocada pela guerrilha entre facções criminosas, em expansão nas vizinhanças das escolas das nossas cidades. Para tornar as coisas ainda mais difíceis, a corrupção corrói toda a estrutura de planejamento escolar, porque seus recursos são desviados para que gestores e políticos corruptos sejam saciados em seus delírios de consumo.
Ansiamos e lutamos muito para termos saúde de boa qualidade para todos, como garantida na Constituição de 1988. Hoje, o que temos são hospitais sem equipes profissionais, serviços de limpeza e manutenção, medicamentos, equipamentos e materiais essenciais até para atendimentos emergenciais ou ambulatoriais, além de alguns profissionais sem caráter, a serviço do mal, dor, sofrimento e morte dos doentes. Enquanto as instituições de saúde federais, estaduais e municipais amargam desabastecimento do elementar, multidões se aglomeram em filas intermináveis sem conseguir atendimentos, internações, procedimentos clínicos e cirúrgicos, muito mais debilitados pelo cansaço e desesperança, estampadas em suas sofridas faces. Não há dúvida que existem recursos, mas nunca chegam onde deveriam, pois são sugados pelos ralos da corrupção, drenados para bolsos, malas e contas bancárias de muito PEIXE GRAÚDO. Gente sem menor escrúpulo, vampiros a sugar até última gota de sangue e vida da população. Como fomos permitir que coisas assim acontecessem na nossa cara? Permitir sim, pois se tivéssemos cortado esse mal pela raiz, não haveria de ter crescido tanto e fugido ao nosso controle. Nada de nos fazer de vítimas, somos cúmplices, por não termos tomado providências a tempo de estancá-las.
Perderam-se o respeito, a consideração e o amor ao próximo, como dos primeiros deveres para com nossos semelhantes. O conquistado a duras penas não nos parece de importância para nos mantermos com direito à liberdade de expressão, quão menos atribuímos valia aos nossos deveres de servir de exemplo aos demais no cultivo de atitudes éticas e respeitosas. Os momentos de manifestação cívica dos brasileiros, tomando ruas, avenidas, praças, das cidades brasileiras no chamado movimento das “Diretas já” parecem apagados no esquecimento das multidões, agora, inertes.
Nossas cidades estão em guerra, a população a mercê da criminalidade organizada, quando nossas estruturas de governos municipais e estaduais, imobilizadas, inoperantes, engessadas, falidas, pela falta de planejamento e logística mínimas e indispensáveis ao bom desempenho da gestão pública. Comparando ao que historicamente temos feito em nossas casas quando nos vemos ameaçados da perda do controle da situação, recorremos às medidas punitivas, corretivas e disciplinares, preventivas da instalação do caos. Que não nos surpreendamos de que se instale regime autoritário de governo para recuperar equilíbrio de forças, já que as negativas estejam imperando. Órfãos, desmobilizados e sem representantes de mandato legislativo que se disponha a enfrentar o instituído, o que nos resta é apegarmos ao Criador, clamando por proteção em casa e nas ruas, repletas de bandidos a nos ameaçar, molestar, matar. Nunca nos esquecendo que todos somos filhos do mesmo Pai e Criador, oremos muito mais pela iluminação de suas almas em pecado e decadência moral.

Por Dr. Willian Machado

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