O Rubi

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Quarta, 14 de Agosto de 2019.

Aconteceu em 1918. Nessa época, um grupo de pessoashospedava-se num hotel situado entre montanhas, desfrutandoanimadas férias. Entre os alegres turistas havia um cientista, deorigem helvécia, interessado na variedade de minerais e de pedrasexistentes na região.
Uma noite, enquanto jantavam, anunciou que na manhã seguintepercorreria as pedreiras vizinhas do lugar, à procura de algum rubique, supunha, ali poderia ser encontrado, como denotavam certassegregações características, cuja natureza se aproximava bastantedas que costumam recobrir aquelas pedras preciosas. Os comensaisacolheram a notícia com vivo entusiasmo e grandes mostras deprazer, manifestando todos o propósito de percorrer os lugares indicados,à procura de rubis.
No dia seguinte, como era seu costume, o cientista partiu antesde sair o sol e, já na pedreira, deteve-se a examinar cuidadosamente,uma e outra vez, esta e aquela greta, a bater aqui e ali, em váriospontos, até que, finalmente, começou a perfurar com suas picaretase verrumas os blocos calcários.
Várias horas depois, começaram a chegar os demais participantesda busca, os quais, distribuindo-se a esmo, procuravamquebrar a golpes as pequenas rochas calcárias, desejosos todosde topar com a reluzente e rubra pedra. Em altas vozes, comentavamsobre tudo quanto haviam imaginado fazer com ela, caso aencontrassem.
Durou aquela empresa vários dias, ao término dos quais o cientistaanunciou, com grande júbilo, que havia encontrado o rubi.
Exibiu-o ainda recoberto de pequenas camadas calcárias, decoradascom minerais de um tom verde-mar escuro.
Após festejar o que todos chamaram de “a sorte do suíço”, cadaum expressou seu pesar por não ter sido o feliz possuidor do preciosomineral.
Alguém, que tinha permanecido observando com atenção a cena,aproximou-se dos circunstantes e lhes disse:– Esse senhor é um geólogo; a ele, pois, correspondia achar o rubi,em virtude de seus conhecimentos. De posse desses conhecimentos,foi fácil para ele seguir o curso dos veios até achar a pedra cobiçada.
Achou-a porque não a procurou ao acaso. A verdade é que tudo temsua razão de ser, e, devido a isso, as coisas não acontecem por casualidade.Deste modo, para quem possui conhecimentos geológicos,por exemplo, haverá de ser mais fácil descobrir a localização de ummineral do que para quem não os possui.
Como todos escutavam com grande atenção as reflexões doocasional expositor, este, após breve pausa, prosseguiu:– O mesmo acontece em todos os domínios do saber. Quem temum conhecimento pode, por meio dele, descobrir outros conhecimentos,e aquele que os tenha em maior número, pela própria forçaque emana do saber, atrairá para os domínios de sua capacidade tudoquanto se proponha. No presente caso, o conhecimento geológico fezas vezes de ímã, o qual, aplicado ao objeto da busca, o atraiu semmaior dificuldade. Desse modo, o rubi oculto nas entranhas destasrochas prontamente viu a luz pelas mãos de seu legítimo dono, istoé, daquele que o descobriu por meio do conhecimento.
Mas a coisa não para aí – continuou dizendo –, pois a mente detodos somente concebeu a imagem de um rubi polido e lapidado,reluzindo tons policromáticos, cujos brilhos excitaram a cobiça ecegaram os entendimentos de vocês. O geólogo sabia, ao contrário,que haveria de encontrá-lo dissimulado entre escuros envoltórios.
E se alguém o tivesse tomado um instante em suas mãos, seriapara jogá-lo fora em seguida, como se faz com tantas outras pedrasque, com similar aparência, são abundantes no lugar.

Depreende-se do relato que, quando se vai procurar algo e nasua busca se investe tempo e energia, é preciso o auxílio do conhecimento,para não relegar o intento ao acaso. Tudo obedece a causase a leis das quais não é possível prescindir, sendo lógico pensar que,a maior conhecimento, maiores probabilidades de êxito haverá emcada empresa. Quem busca às cegas nunca achará o que se propôsa buscar e, se por casualidade tropeça com seu objeto, não percebe aoculta realidade de sua existência ou o afasta de seu lado, ignorandoo valor contido em sua aparente fisionomia.
do livro Intermédio Logosófico, pág. 29
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