O ser humano e o aperfeiçoamento individual (2)

Quarta, 31 de Julho de 2019.

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Quando os seres se aproximam mutuamente, o fazem atraídos por influência simpática ou afinidade e, durante os primeiros tempos se prodigalizam afeto, respeito e os melhores desejos uns aos outros. Mas isso não dura muito e sobrevém o inevitável: o distanciamento. Voltam, então, a separar-se, interpondo-se entre eles distâncias que antes não existiam, pois não foram capazes de conservar o que em determinado momento apreciaram como sendo justo, natural, agradável ou necessário.
Como não existe no homem um verdadeiro controle, uma efetiva capacidade de concepção instantânea dos fatos e das coisas, ele é frequentemente surpreendido por suas próprias reações e, assim, enquanto o coração, sempre pródigo, é amplo em outorgar seus créditos, a mente, menos generosa, reage para cortá-los. Temos visto esse fato em toda amizade desde que nasce e, também, sempre que os sentimentos do ser são invocados.
Isso ocorre diariamente também entre os povos. Podemos vê-lo atualmente nas grandes assembleias que se realizam no mundo. Enquanto o coração dos homens que devem resolver grandes problemas abre suas mãos, a mente volta a fechá-las. Não há possibilidade, nessa contínua reação entre a mente e o coração, de se chegar ao equilíbrio, pois para isso seria necessário alcançar o domínio do justo e a penetração para distinguir o verdadeiro do falso.
Esse é um dos grandes problemas invisíveis para a inteligência daqueles que devem resolver os que são apresentados pelas situações que promovem as grandes transições pelas quais deve passar a humanidade.
Sua solução não pode ser alheia ao conhecimento das leis que regem o Universo, e os homens devem chegar a compreender algum dia que, enquanto não modificarem suas próprias condições internas, seguirão infringindo constantemente essas leis. Somente quando puderem voltar ao caminho traçado pelos grandes princípios pronunciados ao manifestar-se a Criação, os homens conseguirão deter-se nessa louca corrida que os precipita ao extermínio.
Deus fez o ser humano para que ele O encontre através de uma verdadeira evolução consciente. E encontrar a Deus é compreender sua Criação; compreendê-la por intermédio de todas as coisas que tomam contato com a consciência. É também colaborar na grande tarefa de ajuda mútua, para que cada um ache seus fragmentos perdidos pelo mundo; aqueles que faltam à figura humana para chegar a ser completa, ou seja, semelhante à imagem do Criador.
do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, pág. 191
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