O silêncio de um inocente

Terça, 16 de Abril de 2019.

O silêncio de um inocente

Covardins, no futebol, são aqueles atletas dirigidos por que quem assina na súmula que é um Valentim, mas que vão para um lado dar explicações e deixam um companheiro de luta sair pelo outro carregando a culpa de uma crise interna que, por mais importante que fosse pro time, não seria capaz de provocar sozinho.
Thiago Galhardo não atrasou o pagamento dos jogadores do Vasco. Pelo contrário, como os outros, ficou devendo o colégio das crianças, o IPVA e a taxa do condomínio. Segundo Edilson Silva, em O donos da Bola, não foi ele, mas um membro da Omissão Técnica do Vasco, que vazou um descontentamento interno para toda a imprensa. Mesmo assim, o deixaram de fora da delegação que enfrentou o Avaí, pela Copa do Brasil, e passaram a usar a classificação como escudo a defender uma deslealdade cometida com aquele que os ajudou a vencer a Taça Guanabara. E ter direito de jogar a final contra o Flamengo.
E provocaram uma entrevista coletiva em que Leandro Castán falou, Pikachú se calou e Maxi Lopes posou de bonzinho a tentar explicar porque, mesmo desunidos, conseguiram vencer domingo passado o Bangú. Sabiam que haveria um mártir a dominar no peito toda aquela insegurança coletiva. E o assistiram, galhardamente, deixar São Januário carregando nos ombros o silencio dos inocentes. Para não carregar ainda mais o ambiente às vésperas de enfrentar o Flamengo.
E o que se viu ontem, no Engenhão, foi um time determinado treinado por um comandante – e um outro dominado por quem prefere cuidar do visual, caprichar no alisar dos cabelos do que sair em defesa dos seus comandados. Abel Braga jamais se omitiria num episódio desleal como este. Deixar o presidente se meter e seu comando desaparecer? Jamais.
Quarta-feira, Gabigol chegou no comandante e lhe tacou um beijinho. Ontem, se aproximou para tirar satisfações, queria ficar jogando mais um pouquinho. Pela Gávea, pouco importa se começa o Diego ou Arrascaeta, todos sabem que sua embarcação tem um comandante de verdade. E daí partem pra cima, vencem posse de bola, chutes a gol e a própria partida porque não se escondem na própria covardia.
Já o Vasco, ou anistia Thiago Galhardo e traz de volta sua luta, coragem e galhardia ao seu meio campo, ou vai amargar outro vexame dos outros dez covardins que pensam ter no comando um treinador que se diz Valentim.

Por José Roberto Lopes Padilha

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