O violino endiabrado de Paganini

Sábado, 09 de Fevereiro de 2019.

O violino endiabrado de Paganini

Figura excêntrica, tanto pelo comportamento quanto pelo aspecto físico, Noccolò Paganini (1782-1840) foi um grande compositor e instrumentista que revolucionou a arte de tocar violino. Seu virtuosismo era tão assombroso que, cedo, surgiram rumores à respeito de seu envolvimento com as forças das trevas.
Nascido em uma família pobre de Genova, filho de um estivador, Paganini destacou-se entre seus cinco irmãos pelo interesse precoce na música. O pai, violinista amador, cuidou com severidade da educação musical do filho, submetendo-o a exaustivas horas de estudo diário. Aos oito anos, Paganini surpreendeu seus tutores ao compor uma sonata para violino. Aos 13, á excursionava pela Itália se apresentando em concertos. Três anos mais tarde, decide emancipar-se de seu pai, passando a administrar sua vida livremente; o que lhe trouxe prejuízos, pois acabara se envolvendo com jogos, bebidas, assumindo comportamento licencioso. Ao ver sua reputação manchada pela sua boemia e com o acúmulo de dívidas, buscou retratar-se socialmente. Aos 23 anos retorna, com grande triunfo, à sua vida intensa de concertos.
Logo, os rumores sobre o compositor e um provável pacto com o Diabo ganham força. Assim como a música sedutora e o comportamento depravado, o aspecto físico do compositor corroborava com os boatos: Paganini possuía nariz fino e proeminente, cabelos longos, tinha baixa estatura (cerca de 1,65 metros), magreza excessiva, pálido como um cadáver.
Com todo seu talento extraordinário, o “virtuosi” logo se tornaria uma lenda. Sua incrível habilidade ao violino associado à aparência cadavérica causava espanto e terror nas pessoas. Esse contexto corroborou para fundamentar os boatos de que Paganini vendera a alma ao Diabo em troca de sua perfeição musical.
Paganini, por sua vez, soube aproveitar esta “publicidade” em seu favor, encarnando a lenda que virara. Procurava utilizar sempre trajes pretos, desalinhados, surpreendendo a plateia em seus concertos com aparições assustadoras. Aos quarenta anos, passou a excursionar por toda Europa e suas excentricidades tornaram-se ainda maiores.
Multidões pagavam preços exorbitantes para assistir as apresentações daquele músico excêntrico. Comerciantes colocavam o nome “Paganini” em diversos produtos, como perfumes, botas e, até mesmo, em charutos. As turnês incluíam as cidades mais importantes da Europa, com destaque para Viena, Milão, Hamburgo, Paris e Londres. Tudo isso contribuiu para que o músico amealhasse considerável fortuna. Sem dúvidas, Paganini foi um “pop star” do século XIX! Em seus recitais, Paganini apresentava-se quase sempre com suas próprias composições. Sua figura exótica contorcia-se, os cabelos negros cacheados agitavam-se, e o arco do violino fazia movimentos inalcançáveis para a maior parte dos músicos da época. Algumas vezes, para impressionar a plateia, cortava três das quatro cordas do violino e prosseguia o concerto com apenas uma. Como músico, Paganini inovou com novas técnicas de execução ao violino, afastando-se do banal e do medíocre, tocando o instrumento com uma concepção anos-luz a frente de seus contemporâneos.

Por Vinícius Pereira

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