Oportunidades de resgate como degraus do Plano Evolutivo

Sábado, 05 de Janeiro de 2019.

As situações conflitantes que vivenciamos em casa com familiares, ou nos ambientes de trabalho, lazer, entre tantos outros que se nos apresentam no transcurso da vida terrena, por mais que nos exijam controle mental, emocional e traquejos sociais, requerem, particularmente, que recorramos aos domínios do nosso mundo interno, à esfera espiritual, de forma a aprender a lidar com elas, quiçá nos ofereçam oportunidades para sanar débitos pretéritos. Pendências geradas e acirradas noutras ocasiões da vida corrente, cujas lembranças se apagaram por mera questão de nos considerar cheios de razão e a outra pessoa dela desprovida, tanto quanto decorrentes de encontros nada civilizados experimentados em vidas anteriores.Em ambos, agimos por impulsos e negligenciamos as palavras de Jesus aos seus discípulos: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. As mesmas pendências se colocarão em nossas vidas, quantas vezes forem necessárias e com quem quer que as tenhamos gerado, manifestadas como provas guiadas pela espiritualidade superior para que sejam resgatadas, e nos credencie galgar patamares cada vez mais elevados do Plano Evolutivo. Não adianta fugir, porque independem da nossa vontade e controle, esses reencontros. Estamos encarnados, mas,de fato, somos seres espirituais e fadados a nos elevarmos, pelo amor ou pela dor, uma questão de escolha.
Temos em nossas próprias casas exemplo concreto do maior laboratório de provas e resgate. Já perceberam como alguns dos nossos familiares vivem tentando nos tirar dos trilhos? Da mesma forma, nada incomum encontrarmos desafetos gratuitos no trabalho, nos grupos sociais e até religiosos que frequentamos. Há quem afirme que fulano ou sicrano lhe provoca arrepios, ou quem sinta antipatia gratuita de algum desconhecido. São das pessoas que nos atazanam que devemos nos aproximar mais e mais, procurando lhes demonstrar afeto e abertura, mesmo que, inicialmente, elas se mostrem resistentes, defensivas, acabam cedendo e passam a nos ver através de melhores perspectivas.
Por mais que se tente argumentar de forma contrária, desconheço justificativa pautada em princípios da doutrina cristã que melhor explique tais conflitos individuais, além da ótica espiritualista. O Plano Espiritual Superior nos concede verdadeiras pérolas na forma de peças literárias. O Codificador nos brindou com importantes esclarecimentos no Livro dos Espíritos, marco inicial da Doutrina Espírita, obra que trouxe profunda transformação no pensamento e na visão de vida de considerável parcela da Humanidade, desde 1857. Independente de crença ou convicção religiosa, a leitura de O livro dos espíritos será de imenso valor para todos, porque trata de Deus e da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos, de suas relações com os homens, das leis morais, da vida presente, da vida futura e do porvir da Humanidade.
Na questão 919 do Livro dos Espíritos, Alan Kardec pergunta: Qual o meio mais prático e eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e resistir à atração do mal? Os espíritos benevolentes, mensageiros de Deus, respondem: “Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo”, referindo-se ao filósofo grego Sócrates (470-399 a.C.). Ao que acrescentou Santo Agostinho: “Dirige a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?”.
O conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual. Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza dos nossos atos.

Por Dr. Willian Machado

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