Os cuidados com o fascismo e presença de Jair Bolsonaro

Sexta, 08 de Junho de 2018.

A persistência do deputado Jair Bolsonaro (PSL) em confortável posição nas pesquisas de intenção de voto às eleições de outubro para Presidência da República exige reflexões mais profundas. Por que expressiva parcela da população brasileira imagina que a eleição do deputado federal em sétimo mandato poderia representar melhorias para população? Quais elementos da atuação política de Jair Bolsonaro fazem com parte da população o vislumbre como solução para problemas nacionais?
Atualmente estando no Partido Social Liberal, Bolsonaro inicia sua carreira no Partido Progressista (PP). Esse partido formou-se a partir de fusão de partidos herdeiros do ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido oficial da ditadura civil militar no Brasil (1964-1984). Seu quadro mais famoso é Paulo Maluf (ex prefeito, ex governador, deputado Federal por São Paulo, atualmente preso por condenação por corrupção). Eduardo Cunha também foi filiado ao PP de 1994 a 2003, tendo sido eleito deputado estadual e federal (eleição 2002) por esse partido.
Apesar de estar em seu sétimo mandato como parlamentar no Congresso, além de dois anos como vereador na cidade do Rio de Janeiro (anos de 1989-1990, quando foi eleito deputado federal pela 1 vez), Jair Bolsonaro é considerado por vastos segmentos populacionais como alguém que “não faria parte do sistema”. Estar em sétimo mandato implica em ter contado com financiamento partidário, de pessoas físicas e jurídicas nesses anos todos. Todas as eleições de Jair Bolsonaro deram-se pelo PP. Esse partido é campeão de parlamentares investigados na Operação Lava Jato, além de forte presença em outros escândalos de corrupção há mais de 10 anos. Como se deram o financiamento das campanhas de Jair Bolsonaro? Quando o PP recebia recursos ilegais isso não afetava as campanhas de Jair Bolsonaro?
Atuação política de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados nos anos 1990 combinava forte nacionalismo- foi um profundo crítico da privatização de empresas estatais no governo Fernando Henrique Cardoso- junto uma defesa do período da DITADURA CIVIL MILITAR iniciada com golpe de 1964. Nunca eximiu-se de abertamente defender a política de tortura e execuções por parte do regime, assim como recusa-se a condenar essas ações. Queremos lembrar a entrevista em 1999 (quando Bolsonaro tinha 44 anos) em que defendeu que ditadura matou pouco. Exatamente foram essas suas palavras:
Através do voto, você não vai mudar nada neste país. Nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC.
Dá porrada no Chico Lopes (então presidente Banco Central). Eu até sou favorável a CPI, no caso do Chico Lopes, tivesse pau de arara lá. Ele merecia isso: pau de arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura. (https://www.youtube.com/watch?v=WWOWsUiddhg).

É preciso que a população saiba diferenciar uma dura luta política com a defesa aberta de execução de adversários. Ser crítico dos Governos Lula\Dilma (PT) ou gritar Fora Temer (PMDB) NÃO É A MESMA COISA QUE DEFENDER SEU ASSASSINATO E TORTURA. Isso é fascismo! É extremamente preocupante que haja identificação popular com essa pauta fascista, conservadora e retrógrada em muitos campos. Como lembrou Bertold Brecht “a cadela pariu Hitler pode ter entrado novamente no cio”. Não se deve brincar com isso. Pois todos pagarão.

Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ.

Por Marcelo Melo

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