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Os Deuses do Futebol

Quarta, 28 de Abril de 2021.

Atualizado em Terça, 27 de Abril de 2021 às 18:51 horas.

  Os Deuses do Futebol

Pouco aclamados ou reconhecidos, como Zeus ou Hera, os Deuses do Futebol mereciam habitar o Olimpo do nosso imaginário. São capazes de transformar a vida de muitas famílias ao conceder o talento e inspiração aos filhos dos que mais precisam. E dar aos que já possuem renda, o amor. Não o dom.

No país do futebol, Eles, os Deuses, redistribuem mais a renda e concedem mais oportunidades do que o Bolsa Família.

E nunca esqueceram de Três Rios.

Minha escolinha de futebol, no América FC, tinha o Juninho e o Caio, filhos do Josemo, e o Da Silva, filho de um funcionário público. Os primeiros chegavam de motorista, segurança e calçavam o último modelo da Adidas. Já Da Silva, morava ao lado. Vinha treinar descalço mesmo.
Treinava com as chuteiras disponíveis. Calçava 40, se lhe dessem a 42 enchia de ataduras o bico. Caso 37, encolhia os dedos. E era o melhor em campo. Sempre.

Porque Da Silva só tinha uma bola, dormia com ela, chutava na parede, na terra batida e quebrava o vidro da janela do vizinho. Juninho e Caio tinham Playstation, autorama, patins...
Tanto tempo depois, como me orgulho dos meus três alunos. Os Corrêa de Mello aproveitaram as lições do esporte e se tornaram dois prósperos e saudáveis empresários. E Da Silva, que não desperdiçou seu talento, jogou no Flamengo, Vasco e no Japão.

Quando retornou, Da Silva mudou a vida de todos os seus. E o primeiro ato, como são gratos, foi comprar uma casa para seus pais. Já os meninos do Bramil, preparados e motivados, mantiveram os empregos de todos os nossos munícipes quando seu pai, uma lenda, descansou em paz.

E quando seu amigo da escolinha jogava no Maracanã, ocupavam a tribuna para torcer por ele. Com todas as honras e conforto.

Não dá para ter tudo na vida. Mas o esporte, e seus Deuses, são capazes de conceder dignidade e auto estima para que nenhum menino se afaste dos seus melhores caminhos.
Sejam eles com ou sem uma bola nos pés.

Por José Roberto Lopes Padilha