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Os emergentes da bola

Terça, 04 de Maio de 2021.

  Os emergentes da bola
Muito bacana ver que um clube de futebol da Classe C, que no Brasil é definida por aqueles que ganham entre 2 e 2,5 salários mínimos, de pouca torcida, estádio modesto, fora do Brasileirão, da Copa do Brasil e Libertadores resistir ao abandono da sua federação e se impor diante dos grandes.

É o exemplo de amor ao futebol que está nos dando a lusa carioca ao deixar Vasco e Botafogo fora das semifinais do estadual.

Fico a imaginar o dia a dia de jogadores e comissão técnica ao se deslocarem para a Ilha do Governador em linhas vermelhas e engarrafadas. Treinar em dois períodos para equilibrar a parte física sem um centro de treinamento, isto é, indo e voltando com a gasolina a seis reais. E se superando nas divididas para não dar espaços a adversários mais talentosos.

Seu goleiro rodou o país, seu técnico é desconhecido e seu Romário é genérico.

Pouco importam os meios, agora aquele grupo que frequentava a Rodoviária Novo Rio desembarca no Aeroporto Internacional do Galeão rumo a merecida felicidade.

Porém, ao entrar no Maracanã do equilíbrio social, encontram um olhar desconfiado, de ceticismo e até de ironia, fora o pior de todos que é o preconceito dos comentaristas que nem lhe vêem. Ou comentam sua atuação.

Preferem apenas julgar o seu adversário, o Fluminense, se jogou bem ou mal, se Roger Machado merece continuar ou dar lugar a Renato Gaúcho.

A Portuguesa é um novo alento aos que ainda acreditam que podemos viver num lugar menos desigual. Mesmo que não seja no bolso dos seus jogadores, mas no equilíbrio de renda e oportunidades concedida para todos os cidadãos.

Estejam eles jogando ou torcendo, carteira assinada ou autônomos, recebendo auxílio emergencial ou pensão vitalícia, por todo um país que precisava receber, das suas origens e cores lusitanas, um exemplo Portuguesa.
Com certeza.

Por José Roberto Lopes Padilha