Os recortes da comunicação

Terça, 13 de Junho de 2017.

O cenário da comunicação atual em termos políticos está em fase de transição, visto que a técnica vem abocanhando opiniões antes que se conclua um pensamento crítico a respeito dos recortes atuais como investigações, prisões, corrupções, violência, impunidade, democracia e outras reformas políticas sociais de base para uma sociedade mais fluente.



A informatização traz um cenário de dicotomia, onde a expressão se faz muitas vezes opressora da resposta do outro. Quem seria o outro? Os eleitores, os alunos do primeiro segmento, o amigo virtual, a família distante, o caso de amor mal resolvido (aliás, porque essa expressão em relação ao amor e não o amor vivido apenas? Enfim...), os amigos de bar, os amigos de estrada, de trabalho e de segredos de liquidificador. A comunicação recortada por falas tem se resumido a “curtidas” e outros chamegos virtuais. O outro curtiu, então está bom. Há um grande espaço para explicitar e pouco para ouvir o que isso gerou de reflexivo. Tudo vem das mídias, da TV, das manchetes online e oportunamente temos a satisfação de debatermos face a face com algum amigo eloquente. Pensando em rota política rumo a 2018, vemos um novo formato de campanhas eleitorais contando com o meio de comunicação virtual. As campanhas para a presidência são caríssimas e com um cenário de processos investigatórios será muito complicado esse apoio financeiro. Ao mesmo tempo, os candidatos lançam mão da internet, a fim de monopolizarem o acesso às opiniões, mudando rapidamente o foco para o interesse eleitoreiro. É fundamental prestarmos atenção daqui para adiante na confluência dos acontecimentos com as repercussões destes nas mídias mais polêmicas, que são os jornais, redes sociais e artigos bem fundamentados. As panfletagens, o corpo a corpo, o diálogo com os eleitores nos portões de suas casas, os esbarrões nas ruas, os palanques e tudo que tínhamos de real está fadado à decrepitude do descrédito político. A tendência da comunicação política é ficar centrada em salas de reuniões nos sindicatos e comitês dos partidos. Cada qual com seus instrumentos tecnológicos em prol do pseudo discurso democrático nas eleições. Assim sendo, cabe a nós recortarmos o que presenciamos por onde passamos, seja nas metrópoles ou na sala de casa. O que vemos na sociedade e absorvemos de crítico fará toda a diferença na escolha representativa. Havemos de acelerar o passo, assim como o olhar para o que ocorre na malícia do cenário político atual. Porque tem sido tudo muito rápido para absorvermos o que cabe a nós como cidadãos. Mas eles, os nossos representantes haverão de esperar, pois ainda que o instrumento de campanha seja eficiente, mais ainda precisam ser nossos pensamentos, debates e dedos ao tocarem as urnas eletrônicas.



“Há meros devaneios tolos a me torturar. Fotografias recortadas em jornais de folha. Amiúde!”



Zé Ramalho


Por Mônica Ribeiro

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