Parasitoses cutâneas

Pediculose do couro cabeludo e do corpo Parte 2

Quarta, 22 de Agosto de 2018.

O Pediculus humanus capitis origina pequenas epidemias nas escolas, creches e outras instituições em que os indivíduos ficam agrupados, especialmente crianças e idosos.
Quadro clínico - Predomina a queixa de prurido (coceira) principalmente nas regiões retroauriculares e occipital. São comuns as escoriações no pescoço e dorso. As lêndeas são ovos dos parasitas, de aspecto esbranquiçado aderidos as hastes dos cabelos - o que as diferencia das escamas da caspa comum (pityriasis capitis).
A infestação por piolhos, pediculosis capitis, é causado pelo Pediculus humanus, variedade capitis, e problema de saúde pública comum, especialmente entre crianças. O sintoma mais comum e evidente é o prurido (coceira) no couro cabeludo, em que as lêndeas viáveis confirmam o diagnóstico de infestação por piolhos. A infestação tem sido comum entre mulheres com cabelos longos. Infecção bacteriana secundária com linfadenopatia (ínguas) podem complicar o cenário clínico, principalmente porque podem confundir ambos os processos, parasitário e bacteriano.
O piolho do corpo (Pediculus humanus variedade corporis) tem o mesmo aspecto do piolho da cabeça, mas tem maior tamanho. Vive e reproduz nos forros das roupas e raramente é encontrado sobre a pele. Apresenta-se como pápulas intensamente pruriginosas e é associada a pobreza, falta de higiene e aglomeração.
Tratamento - Estão indicados os mesmos produtos do tratamento da escabiose e devem ser restringidas as lesões hidroalcoólicas, especialmente porque provocam irritação e ardor nas crianças com escoriações no couro cabeludo e permanecer por seis horas (uma noite), com lavagem normal no dia seguinte. Depois deve ser aplicado mistura de vinagre em água morna, deixando agir por uma hora, quando então deve ser retirada as lêndeas em cada pelo. o mesmo tratamento deve ser repetido após 6 dias, quando pode eclodir novas lêndeas viáveis da pediculose dos cabelos, dos pelos e do corpo, assim como no caso da escabiose, é facilitado pelo emprego de ivermectina (Ivermec 6mg) oral, que oferece maior comodidade que o tratamento tópico (externo).
O tratamento da pediculose com ivermectina oral é eficiente e consiste na administração de dose única (200 mcg/kg) para adultos e para crianças com mais de 6 (seis) anos de idade, repetindo-se a mesma dose após 10 (dez) dias.
3ª Parte
Fitiríase
É causada pelo piolho Phthirus pubis (vulgarmente conhecido como "chato"). Sua presença é suspeita em casos de prurido (coceira), na área dos pelos pubianos e no tronco e axilas em homens com muitos pelos. o parasita é visto parcialmente instalado na folículo e as lêndeas nas bordas do couro cabeludo, nos cílios e supercílios.
Diagnóstico e o piolho pubiano (Phthirus pubis) tem um formato típico, é menor, tem espáduas amplas e cabeça estreita, corpo achatado e três pares de patas. As lêndeas (ovos) se instalam nas hastes dos pelos. Conhecido como "chatos", pode instalar-se, além dos pelos pubianos, no couro cabeludo, cílios, sobrancelhas, pelos axilares e pelos dos troncos. Cerca de um terço desses indivíduos apresentam outra doença de transmissão sexual. Admite-se que cerca de um terço dos indivíduos com fitiríase apresenta pelo menos uma doença sexualmente transmissível (DST).
Tratamento - é o mesmo da pediculose do couro cabeludo. é preciso identificar todos os contatos pessoais do mesmo ambiente, para o sucesso terapêutico. Agentes tópicos são indicados para a eliminação das lêndeas, especialmente permetrina a 1% (loção ou shampoo) e uso de pente fino. Parasitismo intenso justifica o uso oral de ivermectina ou cotrimoxazol.
Procedimentos radicais incluem a raspagem dos pelos comprometidos, aplicação de inseticidas como BHC não são mais recomendados.

Continua na próxima publicação

Por Dr. Eneas Zandomênico

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