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Profissão Trabalho – Parte III

Sábado, 18 de Abril de 2020.

  Profissão Trabalho – Parte III Para que possamos falar sobre encontrar um propósito mais significativo para a vida laboral precisamos tomar ciência dos modelos de sucesso social e êxito profissional que o sistema ao qual fazemos parte nos oferece e incita. Esse mesmo sistema nos lança a ideia de constituir patrimônio, ganhar dinheiro, acumular bens e sempre almejar melhores status, tudo isso nos é proposto e imposto desde pequenos nos nossos lares, no sistema de ensino e nas diferentes mídias, somos programados para um determinado tipo de vida e paraalimentarmos um modo de produção capitalista nesse período contemporâneo, que nem sempre oferece as mesmas oportunidades de igualdade, equidade e “ascensão social”. A detenção dos meios de produção por parte de determinadas classes finda em indivíduos que possuem melhores condições materiais, as oportunidades de educação, de trabalho e, consequentemente, de crescimento são maiores, o que lhes permite manter um status social elevado.
Em contrapartida, aqueles indivíduos que possuem apenas a força de trabalho têm oportunidades de crescimento mais restritas e, portanto, maiores dificuldades para alcançar níveis sociais mais altos. Muitos indivíduos tem uma visão distorcida da realidade na medida em que a consciência que muitos trabalhadores constroem de seu próprio modo de vida tende a ser influenciada de forma significativa pelos valores das classes dominantes. Se produz cada vez mais e nem sempre se recebe na mesma proporção e de forma justa. Vivemos em um mundo cada vez mais consumista onde o que era novo se torna obsoleto e descartávelem uma velocidade cada vez maior. Tudo isso finda em um ciclo vicioso e repetitivo. Diante disso não podemos nos acomodar e atribuir nossas circunstâncias, escolhase nossas dificuldades exclusivamente ao sistema uma vez que nunca veremos um mundo perfeito, mas sim perfectível.
O mercado de trabalho está e sempre estará em constante transformação e isso traz uma série de benefícios para a sociedade, podemos perceber os avanços na medicina, na educação, no setor agropecuário, no meio tecnológico, intelectual, industrial e etc. Mas como nada é perfeito esse mesmo mercado de trabalho está preparado para sempre exigir mais e mais, isso se deve a diversos fatores, dentre eles a necessidade de atendimento de suas demandas e grande oferta de mão de obra.O mercado de trabalho e a sociedade como um todo exigem para si cada vez mais competidores implacáveis e isso é um “fato social” relevante. Precisamos levar em consideração todo esse contexto e avaliar até onde tudo isso é “normal ou patológico”. A visão de sobrevivência do mais apto vem dos darwinistas sociais da Inglaterra que curiosamente vaina contramão da ideia de evolução do próprio Darwin que em sua obra “A Origem das Espécies” diz que a evolução se dá de forma aleatória. O autor por sua vez dizia que essas mudanças aleatórias se davam de acordo com os planos do criador.
O ilustre Émile Durkheim foi um sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo francês do século XIX, que formalmente foi um dos responsáveis por tornar a sociologia uma ciência, o mesmo se referiu ao “fato social” como estruturas coletivas, a situações que estão presentes na sociedade de forma generalizada e que exercem sobre o indivíduo níveis consideráveis de coerção, ou seja, pressão. Para se ter noção do poder de um fato social basta ir contra ele. Émile Durkheim junto a Karl Marx e Max Weber, compõe a tríade dos pensadores clássicos da Sociologia.
Em meio a todo esse contexto laboral, social e existencial muitos passam a se questionar sobre o real sentido do trabalho e da existência, e muitos acabam por se sentir vagando em meio ao vazio. O mesmo sistema que exige cada vez mais acaba por descartar os seus com maior frequência e facilidade. Estamos cada vez mais ociosos por informações, conhecimentos e sabedoria, entretanto, se afogar em um oceano de informações não significa banhar-se em conhecimento, muito menos em sabedoria, pois essa exige cada vez mais a utilização de filtroscontextuais. Apesar de praticar e transmitir informações, nem sempre os humanos se esforçam para definir, analisar e explicar essas informações. As mudanças são tão constantes e rápidas, que podemos nos tornar profissionais desatualizados em pouco tempo. Tudo demais e/ou de menos pode se tornar algo tóxico. A diferença entre o remédio e o veneno se encontra na medida certa e não na dose desmedida. A medida desmedida deixa toda a realidade comprometida. Mais importante do que ver é conseguir enxergar.
É comum em certo ponto nos questionamos sobre o quão significativo o nosso trabalho é para a sociedade e para nós mesmos. Afinal de contas o que precisamos para encontrar satisfação no ambiente de trabalho? Como encontrar um propósito mais significante para a vida laboral? Como o trabalho pode proporcionar a sensação de ser significativo? É possível me encontrar no ambiente laboral? Vejo o trabalho como tripalium, como sendo um sacrifício ou algo capaz de proporcionar prazer e dar sentido a existência? Vejo o meu trabalho como algo construtivo, produtivo e positivo ou como algo que dói e flagela a alma? Realizo o que realizo por me tornar alguém útil? Faço o que faço porque isso me preenche e causa bem-estar ou porque se não o fizer irei ser rejeitado pela sociedade e perecer? Se você deseja descobrir as respostas para esses questionamentos acompanhe o próximo artigo. Seja forte e corajoso. Não se apavore nem desanime.
Por Jhean Garcia
Crédito da foto: Reprodução

Por Jhean Garcia