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Promessas de um netinho

Quinta, 11 de Março de 2021.

Atualizado em Quarta, 10 de Março de 2021 às 17:28 horas.

  Promessas de um netinho

Trabalho no Caps AD desde que passei no concurso da Prefeitura de Três Rios. Como jornalista cedido, colaboro no bom dia, cuido das apresentações culturais e esportivas e, agora, me debruço sobre um livro que retrate esta nova experiência.

Nesta instituição,  aprendemos uma máxima logo no primeiro dia: você jamais sairá de lá do mesmo jeito que entrou. Experiências reveladas daqueles que se aproximaram do fundo do poço e encontraram pouquíssimas pessoas dispostas a descer um balde e resgatar uma só gota de sua dignidade.

Experiências reveladas por àqueles que encontraram refúgio nas substâncias que anestesiaram suas frustrações.

Não saímos os mesmos porque lidamos com as mais sensíveis das criaturas. Não aquelas que os pais "escolhem" suas vocações, e os filhos retribuem mal olhando na cara dos seus pacientes SUS, mas nasceram dotados de talentos para exercer a pura arte.

São escultores, pintores, dançarinos, compositores e ainda ousam tocar gaita e ser mestre de bateria do GRES Mocidade Independente de Vila Isabel. Se colocaram fora da bolha que dá direitos a anel e canudo de papel.

Todos deveriam caber neste latifúndio social, infelizmente, os artistas e autodidatas são discriminados. Quando perdem o emprego, não estão desempregados. São vagabundos.

Se adoecem, não são pacientes, são sem vergonhas

Hoje, seu Ed..., acolhido  pela sexta vez aqui no Caps, abraçado a cachaça que lhe afasta da família que jura amar de paixão, fez um depoimento que nos desabou.

Seu neto, de apenas 11 anos, presenciando seu avô deixar a casa onde moram outra vez de ambulância para longe do seu carinho, disse a ele que fez uma promessa: de não mais tomar um refrigerante enquanto ele não largar sua cachaça.

Isto é, para não perder a companhia do avô, abriu mão do sabor refrescante que os fazem borbulhar desde a infância até a adolescência. E tem apenas 11 anos...

Lágrimas, seu Ed..., não valem mais. Bastam as nossas. Agora, temos certeza que vai fazer pelo seu neto  o que jamais fez por si mesmo.

E a gente volta pra casa se perguntando: será que temos mesmo problemas?

Por José Roberto Lopes Padilha