Qual tem sido o nosso papel no palco da vida?

Sábado, 23 de Fevereiro de 2019.

Qual tem sido o nosso papel no palco da vida?

Em meio às dificuldades que nos assombram já neste início de 2019, necessitamos mais que nunca de gestos sinceros de solidariedade; aqueles que têm o dom de nos devolver a esperança e auxiliar a seguir na caminhada. Como a imagem daquela moça que, após o acidente que vitimou o jornalista Ricardo Boechat, aparece tal qual heroína fazendo o possível para ajudar o motorista de caminhão ainda preso ao veículo, enquanto outros (maiores e mais fortes) se ocupavam em filmar a cena.
Muito criticados – e com razão – os marmanjos que ali estavam. Muito prestativa – com toda certeza – a moça que agiu conforme mandava a consciência. Ela merece, claro, todos os elogios. Nós, por outro lado, podemos aproveitar a deixa para refletir sobre nossa conduta: quando exaltamos a ação, ao invés da observação, talvez devêssemos olhar para nós mesmos, nossa rotina e nossas atitudes, buscando, através do autoconhecimento, compreender qual tem sido o nosso papel no palco da vida.
Diante dos problemas – pessoais e sociais – que nos assolam, tenho sido protagonista ou mero espectador? Ocupo-me em tentar resolver as questões pendentes, ou me perco reprochando condutas alheias enquanto aguardo a atuação de heróis? Sou aquele que prima, antes de tudo, pela mudança interna, ou quero consertar o mundo e os outros ao meu redor, esquecendo de olhar para mim? Sou, em suma, ator principal de minha existência e do espaço ao redor, ou apenas um crítico de pijama?
Porque parece clichê, mas é verdade que a transformação almejada só irá ocorrer após iniciado o trabalho do micro para o macro, ou seja, de nós mesmos para, a partir do autoexemplo, contagiar o círculo familiar, os amigos, o bairro, a cidade e, enfim, toda a sociedade.
Imagens inspiradoras devem ser exaltadas. Desde que sirvam de mola propulsora para a nossa reforma interior. Demonizar a indiferença dos tempos atuais, a tecnologia que nos aprisiona ou o consumo exacerbado não nos fará pessoas melhores. Aprender a empregar para o bem ou dosar o uso das ferramentas que surgem, isso sim. Por fim, vale lembrar: que seria destas cenas se não houvesse quem as divulgasse?
#BOMFIMDESEMANA
Daniele Barizon

Por Daniele Barizon

Crédito da Foto: Reprodução

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