Que líder você é?

Parte 4

Sábado, 08 de Julho de 2017.

Você já é um líder. Sabia? Estudiosos de liderança entendem que ela está relacionada à capacidade de uma pessoa na influência nas atitudes, crenças, comportamentos e sentimentos de outras pessoas. Seguramente você já influenciou outras pessoas a sua volta a partir de suas convicções. Não é mesmo? Mas que líder você é?



Nas colunas anteriores que tratamos de liderança, fizemos um apanhado histórico e discorremos sobre as teorias neocarismáticas e o cuidado que devemos ter com estilos de liderança que são baseados apenas no carisma do líder. Também sobre os estilos de liderança mais modernos que são estudados nas academias e desenvolvidos no meio corporativo.



Hoje vamos conhecer a liderança virtuosa que surge a partir da relevância conferida aos comportamentos éticos no âmbito dos negócios e tem ensejado um crescente interesse no aprofundamento de investigações focalizadas na liderança com ênfase em virtudes. Esse estilo de liderança tem por base os preceitos de ética e justiça e vem sendo abordada há muito tempo pelos antigos filósofos e pensadores religiosos que discorriam sobre sabedoria, coragem, humanidade, justiça, temperança e transcendência.



A liderança virtuosa consiste na distinção entre o “certo” e o “errado”, isto é, na adoção de medidas que garantam a justiça e a honestidade e que propiciem aos indivíduos e organizações o alcance de objetivos justos e morais. Nesse sentido, os líderes virtuosos são capazes de decidir e fazer as coisas certas dentro dos prazos, mantendo relações equilibradas com seus liderados.



O líder virtuoso deve ainda demonstrar suas virtudes intencionalmente, de forma consistente, e por razões intrínsecas. Nesse sentido, as ações devem ser intencionais, isto é, ele deve ter ciência dos fatos pertinentes a uma determinada situação e demonstrar a sabedoria prática necessária para essa ação. O motivo da ação virtuosa não pode para proveito pessoal e nem tampouco como resultado de regras externas, controles ou compulsão. Por fim, a ação virtuosa deve ser expressa de forma consistente ao longo do tempo.



Um líder virtuoso é aquele cujas características e ações são consistentes com cinco virtudes: prudência, temperança, justiça, coragem e humanidade. A prudência está relacionada ao nível de precaução na tomada de atitudes, enquanto a temperança, por sua vez, diz respeito à capacidade de lidar com os problemas mantendo o equilíbrio, e, a justiça, consiste na adoção de decisões pautadas no que é estabelecido como mais correto.



 A coragem, caracterizada como um traço de caráter associado ao fato de o líder não ter medo de fazer o que acredita ser o correto, como, por exemplo, adotar ações impopulares ou que causem risco pessoal e, por fim, a humanidade é definida como um traço de caráter associado à capacidade de amar, de respeitar e de cuidar do outro, de modo desvinculado do próprio interesse.



Ao compararmos os estilos de liderança que mencionamos até o momento fica notória a distinção da liderança virtuosa por ser aquela que mais leva em consideração os preceitos éticos e a única que possui como base as virtudes conceituadas e cultuadas por nossos ancestrais. Ou seja, trata-se de um excelente parâmetro para nos balizarmos e um estilo muito relevante nos dias de hoje em que as instituições se mostram absurdamente corrompidas.



Na próxima semana continuaremos discorrendo sobre o estilo de liderança virtuosa em comparação com demais estilos. Até lá!

 


Por Ten.Coronel PM Márcio Guimarães

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