Que tal desconectar e experimentar?

Sábado, 13 de Abril de 2019.

Que tal desconectar e experimentar?

Há um tempo, adolescentes que éramos, esperávamos ansiosos o fim de semana para, turma reunida, confraternizar nos bancos das praças. Uns anos depois, as moças com blusas e batons emprestados umas das outras, os moços de cabelos brilhantes, encontrávamo-nos nas festas e nas boates. Nesse tempo, ser popular era fazer parte de determinado grupo no colégio, sair com pessoas legais, ser cumprimentado aonde quer que se fosse.
Hoje não é diferente: as jovens ainda trocam suas roupas, os rapazes ainda usam a cabeleira emplastrada de gel. Mas popularidade também é medida pelo número de amigos no Instagram e no Facebook, pela quantidade de comentários e curtidas nos links ou fotos que postamos, pelos vários seguidores no Twitter e no blog... e por aí vai. É o chamado capital social, tão valorizado, tanto em perfisde anônimos – não tão anônimos assim: os 15 minutos de fama de Andy Warhol tornaram-se infindáveis na rede – e tão imprescindível em sites de empresas e profissionais que, se antes integravam as Páginas Amarelas, atualmente povoam o mundo virtual.
Diferente, talvez, sejaver alguém enfeitar-se para, em lugar de abrir a porta, ligar a webcam. E permanecer trancado no quarto durante todo o happy hour. Alguns pais zelosos, podem ler estas linhas e dizer, só para si: “Isso até que é bom, assim meus filhos estarão seguros em casa. ” Compreensível. Todavia, e sem levar em conta os perigos que residem nas teias da própria Internet, questiona-se: mas e o relacionamento interpessoal, tão importante à nossa convivência?
Não há nada de errado em querer se destacar na web. Pelo contrário, é justo e necessário. Pelo bem dos negócios, e até mesmo da vida privada, que eventualmente merece um upgrade. O problema está em aparecer apenas no ambiente online. Representar papéis e estilos de vida fictícios pode ser inocente e divertido, porémrestringir-seao espaço de um apartamento, tendo por companheira uma máquina fria e despersonalizada, por interessante que seja, obviamente não é saudável.
A qualquer dia, qualquer hora, são diversosos colegas– os que conhecemos realmente – nas mídias sociais. Então, porque não aproveitar e exercitar o contato offline (ao vivo), utilizando as ferramentas do ciberespaço? Por que, em vez de descer sempre a barra de rolagem, de conversar em 140 caracteres, não valer-se da tecnologia para equilibrar um pouco as coisas e estar face a face com gente agradável, dar um beijo, um abraço caloroso, bater um papo olhando nos olhos?
Bacana? Deu vontade? O velho método jamais será retrógrado, portanto, vale a pena desconectar e experimentar...
*Publicado originalmente nesta coluna em maio de 2013, o texto continua atual!
#BOMFIMDESEMANA

Por Daniele Barizon

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