Que vergonha

Quinta, 19 de Outubro de 2017.

Até quando nosso país vai ter que conviver com tanta safadeza? Até quando esses corruptos sem vergonhas vão trair o povo? Tal pergunta à gente ouve a toda hora nas ruas. Aí eu acrescentaria uma perguntinha básica: Com que cara esses mesmos políticos vão pedir voto aos eleitores nas próximas eleições depois da mercantilização de seus votos para derrubar o processo contra Michel Temer e. consequentemente, livrá-lo de uma cassação do mandato?

Lúcio Funaro, operador financeiro afirmou em depoimento de delação premiada à Procuradoria Geral da República(PGR) que repassou R$ 1 milhão para o ex-deputado Eduardo Cunha(PMDB-RJ) “comprar votos” a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016. Ele declarou que recebeu mensagem de Cunha. então presidente da câmara, dias antes da votação no plenário, ocorrido em 17 de abril.

Tal delação aguçou a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff, que afirmou nesta segunda-feira (16) que utilizaria a afirmação de Lúcio Funaro para pedir a anulação do processo que resultou em impeachment no ano passado. Em nota, o advogado da petista, José Eduardo Cardozo, afirmou que o depoimento de Funaro mostra que "o ex-deputado Eduardo Cunha comprou votos de parlamentares em favor do impeachment".

"Entendemos que na defesa da Constituição e do Estado Democrático de direito, o Poder Judiciário não poderá deixar de se pronunciar a respeito, determinando a anulação do impeachment de Dilma Rousseff, por notório desvio de poder e pela ausência de qualquer prova de que tenha praticado crimes de responsabilidade",

Faz tempo que o poder Poder Judiciário vem se mantendo focado numa discussão para avaliar sobre se é crime ou não do ex-presidente Lula usar um apartamento vizinho ao seu, cujo aluguel fora pago por sua falecida esposa com recibos falsos, ou se o sítio de Atibaia pertence ou não a amigos, ou se ele, Lula, e sua finada esposa visitaram um tríplex, durante os meses em que estava sendo reformado porque eram seus donos ou apenas para verem, ambos, como se reforma um apê.

Discute-se, vejam caros leitores, se é crime ou não fiéis amigos do presidente em exercício guardarem em um apartamento vazio de Salvador R$ 51 milhões em espécie, com impressões digitais e outras formas de provas irrefutáveis, sem que se esclareça a propriedade de tal fortuna, sua origem e, mais que isto, que destino a aguardava.

O Senador Aécio Neves faltou com honestidade e decoro ao receber R$ 2 milhões em dinheiro do empresário Joesley Batista, alegando tratar-se de um empréstimo sem documentos para custear o patrocínio de advogados contratados para sua defesa. Na última segunda-feira(17), depois de várias manobras, tendo à frente o presidente Temer, O senador tucano acabou recebendo de volta o mandato que havia sido suspenso pela Justiça, em razão do crime cometido, ou seja, recebido R$ 2 milhões de propina de Joesley Batista. Antes de essa novela começar assistimos a um jogo de cena se a votação em plenário seria aberta ou secreta. Uma tremenda palhaçada, já que a Constituição Federal manda que seja votação aberta. Os crimes só vão aumentando e, o que todo mundo quer ver é que sejam aceleradas as ações da Polícia Federal, do Judiciário para que os culpados sejam presos.

O país está caminhando sozinho. O governo e seus comandados nas duas casas legislativas não fazem outra coisa a não ser cuidar de uma política comezinha, em causa própria. A mercantilização dos votos para blindar o presidente Temer e seus ministros envolvidos em denúncias de crimes, já se tornou banal. Enquanto isto o governo e seus aliados não estão nem um pouco interessados, e, sequer comentam, que temos um dos piores índices de avaliação da educação no mundo, não pela qualidade de nossos professores, mas pela precaríssima oferta de saneamento básico e de saúde pública, além do desemprego, que tanto vem humilhando os cidadãos brasileiros.

Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (18), traz a exoneração de dois ministros do presidente Michel Temer: Fernando Coelho Filho, de Minas e Energia; e Raul Jungmann, da Defesa. Os decretos, assinados por Temer, não informam o motivo das exonerações. Mas o governo tem adotado a estratégia de licenciar ministros para ganhar mais apoio em votações importantes no Congresso. Os dois têm mandato de deputado federal. No caso de Jungmann, ele tem sido exonerado com frequência - retornando ao cargo logo depois - para cumprir exigências regimentais relacionadas ao seu mandato parlamentar, cuja vaga é de suplente.

QUE VERGONHA.

Por Carlos Letra

B01 - 728x90