Quem te viu, quem te vê

Sábado, 29 de Dezembro de 2018.

Quem te viu, quem te vê

No sábado, dia 22, fui nadar no CAER. Bem cedo, para não atrapalhar os banhistas ou chocar com eles diante das minhas braçadas. Quando acabei, encontrei a Léa e sua família chegando para a piscina. Foram os primeiros a armar “sua barraca” neste calor tropical. Fiquei tão feliz com eles que pedi para tirar uma foto. Foto esta que há algumas décadas seria impossível ser tirada. Pois não era permitido aos cidadãos trirrienses com a cútis escura freqüentar a piscina do CAER. E a Léa, tão gentil, que freqüenta a academia de musculação do clube e seu filho as escolinhas de natação e saltos ornamentais, permitiu que registrasse este momento e o divulgasse.
Meu tio, Geraldo Pereira Lopes, foi o seu primeiro presidente. Meu avô, Diógenes Padilha, o terceiro e meu pai foi conselheiro por varias décadas. E eu acabo de passar vinte anos na sua diretoria, sendo seis como seu presidente. Tem sido por muitos anos o quintal, a quadra, os salões e as piscinas da nossa família e de muitas “classes médias” da cidade. Mas certo dia um amigo da turma do meu pai, moreno e querido por todos, foi impedido de adquirir um título de sócio proprietário. Segundo ele, perante o constrangimento geral e o desconforto causado pelo veto, o empresário Américo Dias da Silva, com sua nobreza e generosidade, cedeu uma sala no segundo andar de sua indústria alimentícia para que nela fosse inaugurado um novo clube, Que acolhesse os morenos amigos da turma conselheira do meu pai. Neste dia, então, foi inaugurado o Independência Clube.
Nesta época remota e esquecível, a elite ia brincar carnaval no CAER, os morenos no Independência e os negros se dirigiam para o Luso. Esta era a sociedade trirriense de algum tempo. Injusta, segregada, desleal, hipócrita e cínica. Às vésperas de um novo ano, não poderia ter encontrado uma foto melhor do que esta para provar que estamos no caminho certo. Mudamos e para melhor. O CAER, sem o racismo que escureceu parte de sua história, é o símbolo do país que queremos para nossos filhos e netos para 2019. Com oportunidades iguais, sem distinção de cor, credo, sexo ou religião em todos os clubes, empresas, mercado de trabalho e na política. Quem te viu, Clube Atlético Entre-Rios, quem te vê, quem não o conhece não pode mais ver pra crer, quem jamais esquece não pode reconhecer...Parabéns.

Por José Roberto Lopes Padilha

Crédito da Foto: Reprodução

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