Raízes da Música Brasileira: o Lundu e o Maxixe

Sábado, 26 de Janeiro de 2019.

Raízes da Música Brasileira: o Lundu e o Maxixe

Dança de origem africana, trazida por escravos da região de Angola e do Congo, o lundu é um ritmo característico na formação da música brasileira. A princípio, não se considerava o lundu como um gênero musical em si, sendo confundido com o “batuque africano”, do qual deriva.
As primeiras referências ao lundu datam de 1780, e o descreve como uma dança “indecente”. Sua coreografia caracteriza-se pelo balançar alternado dos braços e estalar dos dedos, com a peculiaridade da “umbigada” (encontro dos umbigos do homem e da mulher durante a dança). Em um processo evolutivo, o lundu passa a incorporar um canto-estrofe típico da cultura africana acompanhado pela marcação de palmas. Num próximo passo, de canção solista o lundu transforma-se em música instrumental, executada à viola, ao bandolim ou, até mesmo, ao piano. A prática do “lundu-dança” tornou-se restrita entre negros e mestiços em momentos de recreação; enquanto o “lundu-canção” passou a interessar a diversos compositores e músicos de teatro, onde era feito para ser encenado e cantado com letras engraçadas e maliciosas.
Após transformações, a partir dos anos de 1830, o lundu galga os salões da média e da alta burguesia brasileira como música refinada. A partir de então, aparecem variantes do gênero, como a tirana, de caráter espanholado, a chula, o fado batido, o miudinho, e o baiano, modalidade de lundu oriunda de Salvador/BA.
Em meados do século XIX o lundu funde-se com outras danças características estrangeiras, como o tango, a habanera e a polca, dando origem à primeira dança genuinamente brasileira: o maxixe.
O maxixe é uma dança urbana nascida na periferia da cidade do Rio de Janeiro no último quartel do século XIX. Estendendo-se aos clubes carnavalescos e aos palcos dos teatros de revista, enriqueceu-se com grandes variedades estilísticas. Segundo Mário de Andrade, em seus estudos sobre a música brasileira, o maxixe “resultou da fusão do tango e da habanera pela rítmica, e da polca pela andadura, com adaptação da sincopa afro-lusitana”.
No início do século XX, o maxixe alcança grande sucesso nos palcos europeus, sendo apresentado com refinada coreografia nos teatros do Velho Continente. Diferentemente de qualquer outro gênero musical de até então, o maxixe é essencialmente brasileiro pelo caráter sedutor e lascivo da dança, pelo sincopado e pela vivacidade rítmica da música, e pela utilização frequente de linguagem coloquial quando cantado.

Por Vinícius Pereira

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