Ratoeira armada

Quinta, 01 de Fevereiro de 2018.

A potência da luz está aumentando para que todos possam ver com nitidez o tamanho do balaio, não de gatos, e sim, de ratazanas robustas que há anos se alimentam de maneira farta com o dinheiro do povo. Todos dizem nada ter a ver com as bandalheiras. Alguns deles até juram de mãos postas. Mas, não será fácil escaparem da imensa ratoeira construída especialmente para prendê-los. Ainda que alguns tentem se esquivar, seus rabos gordos ficarão enroscados.
Uma grande parte de políticos que soltou fogos comemorando a sentença contra Lula está na alça- de mira da Polícia Federal e da Justiça, pois carrega nas costas o peso de muitas denúncias de corrupção, como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, entre outros. É uma grande roda gigante, até agora mantida na estática, a qual, de repente, pode começar a girar para desembarcar um por um, tenham ou não o chamado fórum privilegiado, uma blindagem aos que detém mandatos, recurso este que já deveria ter sido extinto faz tempo.
Vale lembrar que o denominado governo de coalizão enseja cada vez mais os partidos da base aliada interferirem na estrutura política exigindo vantagens pessoais, se beneficiando com ministérios, diretoria de vários escalões e, antecipação de bilhões em verbas para os parlamentares. Uma mercantilização dos votos, uma contrapartida exigida toda vez que o governo precisa se garantir no poder contra as acusações que lhes são impostas e, apoio para aprovar as mensagens na Câmara e no Senado. Até agora tem lançado mão desses recursos. Resta saber até quando sustentará tal situação, quando estiver no osso.
Boa parte da classes políticos defende que o STF (Supremo Tribunal Federal) rediscuta a possibilidade de prisão após uma condenação em segunda instância. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, expressou um temor de boa parte da classe política, falando especificamente do caso de Lula, ressaltando que seria importante que o STF voltasse ao tema, tendo em vista haver uma preocupação do governo. O próprio Michel Temer também é apologista de tal avaliação. “Uma grande parcela da classe política está temerosa do chamado Efeito Orloff”: estar no lugar de Lula amanhã.



Há que se lembrar, que até agora, a Lava Jato, na verdade atingiu mais duramente o PT, já que a investigação contribuiu politicamente para o impeachment de Dilma. Lula foi condenado em segunda instância no processo do apartamento em Guarujá. O PMDB sofreu lateralmente. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves estão presos. O PSDB foi muito pouco atingido. Vejam que, nenhum Tucano está na cadeia. Uma coisa curiosa foi à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pedir o arquivamento de investigação contra o senador José Serra, por prescrição de supostos crimes, exatamente no dia da condenação de Lula no Tribunal Regional da 4ª Região, sediada em Porto Alegre.
Cresce a pressão para que a presidente do STF, Carmen Lúcia, rediscuta a prisão em segunda instância. Além do lobby político nesse sentido, há interesse de parte dos ministros do Supremo em revisitar o tema. O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que a prisão de Lula incendiaria o país. Outros ministros, como Gilmar Mendes, já vinham defendendo um reexame da prisão após uma decisão em segunda instância. Carmen Lúcia tem evitado colocar esse tema em pauta, preocupada com a repercussão perante a opinião pública. Seria importante que o Supremo tomasse com coragem uma decisão sobre o assunto, assumindo suas responsabilidades e não fugindo delas.
A Associação dos Magistrados Brasileiros está mobilizando as bases para a sua campanha contra a reforma da Previdência, que não espera o Carnaval e começa já na próxima sexta-feira, com atos em Brasília. De tradição ‘garantista’, o judiciário vai à luta para garantir os próprios direitos. E não está só. Atrás da classe mais poderosa do Estado vêm engrossar o movimento ‘garantista’ outras corporações influentes – e temidas – do poder público, como o MP, a PF e a PM. Juntos, eles formam barricada intransponível.
Temer começou a mover mundos e fundos para passar uma reforma. Não tem opção. Seu governo já colocou todas as expectativas de crescimento da economia na retomada dos investimentos no país, sobretudo de capitais estrangeiros. Temer é refém do mercado. E, para o mercado, qualquer reforma, por mais fajuta, é melhor que nenhuma reforma.
Vou ficando por aqui.

Por Carlos Letra

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