Refletindo sobre o fracasso escolar

Quinta, 22 de Março de 2018.

A compreensão do fracasso escolar deve considerar alguns fatores, são eles: condições emocionais, socioculturais, pedagógicas, aspectos cognitivos, neurológicos e comportamentais. Porém, na prática, é comum que a causa do fracasso escolar recaia apenas sobre o aluno. Há uma tendência em se “culpabilizar” somente a criança pelo baixo desempenho escolar, apresentando para tal, justificativas relacionadas a fatores neurológicos, cognitivos, ou até mesmo desinteresse, apatia e preguiça. Faz-se necessário, que escola e família,adotem um olhar holístico, que vá além do diagnóstico médico determinista e reducionistaquando o assunto é escolarização.
Algumas crianças com dificuldades de aprendizagem necessitarão de acompanhamento especializado com psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e neurologistas, porém, essa não deve ser uma prática automática e generalizada frente à queixa escolar. A medicalização do fracasso escolar abranda a angústia da família e do sistema educacional, pois atesta que a debilidade está no aluno e não em outras direções.
Sobre a contribuição familiar para o fracasso escolar, podemos inferir que a criança com dificuldades de aprendizagem aparece como sintoma familiar. A agressividade comportamental, a distração, a insegurança na realização das tarefas, a baixa autoestima e a dependência extrema da figura do professor, podem ser indicadores de que alguma coisa não anda bem no contexto ou dinâmica familiar. Logo, a criança manifesta através de seu comportamento dito “disfuncional” um pedido de socorro.
Quando a família é negligente em relação ao seu papel cuidador,acolhedor, protetor e de estimulação, sendo omissa em sua função, a criança demonstrará de alguma forma essa falta, seja através das notas, da desorganização e do desinteresse.
A cultura segregativa que seleciona os “melhores” e que repele aquele que demanda maior investimento técnico e particularizado na superação de dificuldades, contribui para que muitas crianças permaneçam desmotivadas, com notas baixas e rotuladas como “crianças problema”.
É preciso que o ato de ensinar seja construído dia após dia. Cada aluno é único e levará para dentro da sala de aula, sua leitura de mundo, vivências, questionamentos e dificuldades, queexigirão dos professores, flexibilidade e manejo profissional no tratamento das diferenças.
Enfim, o fracasso escolarnão é um resultado somente do aluno,é também uma responsabilidade familiar e escolar. Acreditar no potencial da criança, incentivá-la a superar dificuldades, oferecendo-lhe suporte para tal, é o que se espera de uma prática educacional diferenciada e humanizada. Um aluno que não conseguiu se apropriar da leitura e da escrita, que repetiu alguma série, que acumula não saberes, precisa ter sua autoestima resgatada, precisa acreditar que é capaz de superar suas limitações.


Psicóloga Bruna M. Spada Sant’Anna, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro: Psicologia Temática e Colunista da Revista Minha Saúde e Jornal ENTRE-RIOS.

Por Bruna Spada

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