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Religuem-nos, por favor

Terça, 02 de Junho de 2020.

  Religuem-nos, por favor Andava tão distante da religião que mal sabia o que significava. Depois que a encontrei nos cultos do Centro Espírita Fé e Esperança, a traduziram para mim: do latim Religare, respeito pelo sagrado. Religados a Deus.
Por pertencer a uma família dividida entre o catolicismo e o espiritismo, em um tempo que Kardec não tinha a companhia de Francisco, mas do Padre Barroso que recusou casar meus pais “por minha mãe ser neta de macumbeira”, (minha bisavó era apenas Rita Cerqueira, a Mãe Ritinha) deixaram toda a prole rodando a pracinha de bodinho.
Àquela altura da inquisição, tomar qualquer partido seria como ser Lula ou Bolsonaro. Esquerda ou Direita. Desligados de Deus, da pátria, dos valores nobres que o homem esqueceu na gaveta ao lado do título de eleitor. Quando chega num barzinho, antes de desarmonizar a família, não mais debate e conversa política, passa a defender até o indefensável desde que esse seja proferido do lado em que votou.
Vocês sabem, até meus adversários mais assíduos perceberam, que melhorei muito assistindo aos cultos. Deixei de ser Xiita para ser apenas petista.Não a ponto de ler um só livro espírita, de estudar o Evangelho Segundo o Espiritismo, porém, ao ter toda a quarta feira uma alma abençoada à nossa frente dizendo que precisamos ser menos egoístas e mais caridosos, não há como dar um passo à frente em nossa evolução.
Tanto transmitem coisas boas que as coisas boas vão dando um chega prá lá na inveja, tomando devagarzinho o lugar do ciúme, da intolerância, do próprio radicalismo político.
Com a pandemia, fecharam os templos, as sinagogas, as igrejas e os cultos. Em nenhum momento Bolsonaro, Witzel, Dória ou Alexandre de Moraes os colocaram como serviços essenciais à população. Farmácias permaneceram abertas, mas seus produtos não cuidam das dores da alma.
Supermercados são escancarados, mas não vendem o que alimenta nosso espírito. E o ódio, a intolerância, fazem com que o executivo não respeite mais o legislativo, muito menos o judiciário. Sem a palavra de Deus, retornam à incivilidade.
Será que se a Catedral de Brasília, tão linda e carregada de fé, estivesse aberta e frequentada a Capa de O Globo seria a mesma? Se o presidente da república desse uma passadinha lá antes, partiria daquele jeito para cima dos repórteres?
A expressão carregada de William Bonner não tirou apenas a singeleza das mensagens da Renata Vasconcellos. Ele transformou o Jornal Nacional em outro episódio de Walking Dead.
Devolvam-nos a religião. Com máscaras, cadeira sim, outra não, álcool gel antes da hóstia, no tempo da doação, mas devolvam a voz dos céus para todos os seus porta vozes. Sem exceção.
Quanto mais demorarem a abrir as portas da Igreja Nossa Senhora da Conceição, atendendo o clamor dos enamorados que, primeiro, desejam reabrir as Lojas Americanas, menos tarde descobriremos que o pior dos vírus ainda carregamos dentro de nós.
O vírus da imperfeição.

Por José Roberto Lopes Padilha