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São José Operário, sua devoção e o mundo do trabalho

Quarta, 29 de Abril de 2020.

  Nos Dias de São José Operário, comemorado anualmente em 19 de março e 1º de maio, temos a oportunidade de celebrar um dos santos mais queridos do povo brasileiro, que possui grande devoção por ele, devido aos testemunhos de graças recebidas, sua personalidade branda e serena, seu amor imensurável pela Virgem Maria e seu filho Jesus, por seu cuidado com a Igreja Católica em todo o mundo, o zelo pelas famílias e a proteção do operariado. No fundo, a verdade é que o papel desempenhado por São José na História da Salvação foi de fundamental importância, motivo pelo qual o povo brasileiro se identifica com ele. E nós, nesse tempo da pandemia do Novo CoronaVirus, queremos, como povo trabalhador, nos por sob sua proteção.
Esta data de 1º de maio como “Dia do Trabalho”, é uma referência à greve geral desencadeada em 1886 e que foi assumida posteriormente como uma data de luta pelos direitos da classe trabalhadora.A questão do trabalho está nas origens do que chamamos hoje de Doutrina Social da Igreja (DSI), pois a Revolução Industrial no final do século XVIII trouxe desafios enormes para os cristãos e obrigou a Igreja a um posicionamento. Já a instituição dessa mesma data, como Dia de São José Operário se deu em 1955, pelo Papa Pio XII. Assim, a Igreja reconheceu que São José, o protetor da Igreja, assumiu a responsabilidade de não desamparar nenhum trabalhador, seja ele da indústria, do campo, autônomo, homem ou mulher. O Santo Padre, na ocasião disse: “Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho a fim de que inspire a vida social, as leis da equitativa repartição de direitos e deveres”.
Recordemos que o Papa Leão XIII, em 1891, se manifestou sobre a chamada “questão operária”, em uma época em que se começava a distinguir duas classes antagônicas: patrão e operários. Em sua encíclica intitulada RerumNovarum (Das Coisas Novas) ele definiu o trabalho como uma atividade humana destinada a prover às necessidades da vida, especialmente a sua conservação (RN 6). Salientou, ainda, que o trabalho tem uma dignidade e não se deve ter vergonha de trabalhar para ganhar o pão do dia-a-dia, uma vez que o próprio Jesus quis ser trabalhador (RN 15).Ainda, segundo esse Pontífice, o trabalho é pessoal e necessário: ‘pessoal’ porque a força empregada no trabalho é propriedade daquele que o exerce e o recebeu para a sua utilidade; é ‘necessário’ porque o homem precisa dele para sobreviver. Em conclusão, afirma que o trabalho tem prioridade sobre o capital.
Destacamos, nessa história do 1º de maio, que em 1981, no aniversário dos 90 anos da RerumNovarum o Papa João Paulo II publicou uma encíclica sobre o trabalho, com o título Laborem Exercens (O Exercício do Trabalho). Neste importante documento da DSI ele aborda o trabalho como uma questão sempre atual e perene, inovando em alguns conceitos que vinham desde a RerumNovarum.Partindo do texto bíblico do Gênesis, o Pontífice distingue entre o trabalho em sentido objetivo (tecnologia) e subjetivo (o homem que trabalha) e conclui com o princípio ético de que o trabalho é para o homem, não o homem para o trabalho, criticando o materialismo econômico no qual o homem é tratado como instrumento de produção.
O trabalho humano é uma vocação para transformar o mundo, um serviço em que o amor aos irmãos se desenvolve e no qual a própria criatura se realiza contribuindo incessantemente para a humanização da sociedade.O trabalho é uma chave, e provavelmente a chave essencial de toda a questão social, se procurarmos vê-lo verdadeiramente sob o ponto de vista do bem do homem. O Papa João Paulo II proclama, por fim, na Laborem Exercens, a prioridade do trabalho sobre o capital. No processo de produção, o trabalho é a causa eficiente primária, enquanto o capital é causa instrumental.Esse é um conjunto de coisas (dinheiro, máquinas etc), ao passo que o homem, só ele, é uma pessoa. Não se pode separar o trabalho e o capital, nem mesmo contrapor um ao outro, muito menos ainda colocar o capital acima do trabalhador.
Na última mensagem para o Dia do Trabalhador, o Papa Francisco definiu o desemprego atual como uma “tragédia mundial” e pediu a intercessão de São José por aqueles que perderam o próprio emprego ou não conseguem encontrá-lo.E fez votos de que a figura de são José, “o humilde trabalhador de Nazaré, nos oriente em direção a Cristo, sustente o sacrifício daqueles que praticam o bem neste mundo e interceda por aqueles que perderam o próprio emprego ou não conseguem encontrá-lo, uma tragédia mundial nesses tempos”. E nós, aqui da Paróquia de São José Operário, em Três Rios, fiéis a essa rica tradição da Igreja e em comunhão com o Papa Francisco, queremos reafirmar o nosso compromisso orante e solidário com o povo trabalhador! Suplicamos nessa hora, pelo fim da pandemia, pela busca da nova ordem econômica e pela justiça e paz em nosso país!

Medoro, irmão menor-padre pecador

Coluna publicada apenas no site

Por Padre Medoro

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