Saúde Mental: Janeiro Branco

Quinta, 18 de Janeiro de 2018.



Apesar de atualmente nos depararmos com companhas que trazem à tona temas de saúde mental, como o setembro amarelo (prevenção ao suicídio) e o janeiro branco (cuidado em relação à mente e saúde mental), reflexões e discussões como essas, ainda são escassas e merecem maior destaque social.
Durante muito tempo a preocupação com a saúde mental foi negligenciada por estar atrelada a alguns estigmas. A psicologia e a psiquiatria eram vistas como ciências direcionadas à loucura. O indivíduo que procurava a psicoterapia era visto como portador de transtorno mental grave e incapacitante. Atualmente, apesar dos esclarecimentos e avanços, ainda existem pessoas reproduzindo tal discurso.
Outro estigma em relação à psicoterapia é o discurso vazio de que o psicólogo é um profissional aconselhador. Durante o processo psicoterápico o psicólogo atua como ouvinte e facilitador, de maneira a auxiliar o sujeito em seu processo de autoconhecimento, confronto de traumas e elaboração de sintomas.
As angústias, os conflitos não resolvidos, as experiências traumáticas não elaboradas, os temores excessivos, as frustrações recalcadas; são fontes de intenso sofrimento psíquico, e quando não tratadas, afetam não só a mente, mas o corpo. Questões psicológicas graves, não trabalhadas em processo terapêutico, tendem a buscar como saída o corpo, processo nomeado de somatização. Dentre os quadros clínicos que podem ter correlação com o emocional, podemos citar: dermatites, herpes, enxaquecas, hipertensão, fibromialgia, dentre outros; além de doenças como depressão e transtornos de ansiedade e pânico, que tem sido comuns. Como Freud afirma:“... Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”.
A campanha “Janeiro branco: quem cuida da mente, cuida da vida” começou em Minas Gerais, e tem como objetivo a mobilização social em prol de um maior cuidado em relaçãoà saúde emocional e mental. Os idealizadores escolheram o mês de janeiro por este representar para muitos, uma época de balanço de vida e evocar sentimentos nostálgicos em função de um novo ano que se inicia. Já a cor branca foi adotada por também remeter a uma nova possibilidade, a um recomeço, tal como uma folha ou quadro em branco, a ser reescrito.
Campanhas como esta, são importantes para que a saúde mental possa ser pensada e discutida de forma frequente, visto que muitas são as doenças psíquicas que atingem diariamente a população.

Psicóloga Bruna MarçalSpadaSant’Anna CRP 05/42705, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro Psicologia Temática; Colunista da Revista Minha Saúde e Jornal ENTRE-RIOS.

Por Bruna Spada

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