Saúde mental: obesidade e gordofobia

Quinta, 04 de Janeiro de 2018.

Saúde mental: obesidade e gordofobia

Geralmente no início de um novo ano muitas são as metas e objetivos traçados, e um dos desafios mais comum é a perda de peso e reeducação alimentar, condição desejada por muitos e alcançada por poucos.

A obesidade é descrita como o acúmulo excessivo de gordura e pode ter inúmeras causas, desde condições genéticas à compulsão alimentar por fatores emocionais. É considerada fator de risco para outras doenças, como hipertensão e comprometimento cardíaco. É um quadro clínico que merece atenção, e por ser considerada doença, não deve ser tratada de forma banal e desrespeitosa.

A Gordofobia é uma forma de preconceito e discriminação, relacionada ao excesso de peso, onde há uma desvalorização e hostilização de indivíduos obesos. O padrão social que é maciçamente “imposto” pela mídia é o da magreza como sinônimo de beleza; todos os corpos que não se enquadram nesse “modelo” acabam sendo considerados “anormais” e “feios”, transformando-segeralmente em fontes de frustração e sofrimento psíquico.

No geral, aGordofobia se manifesta de forma sutil, diluída em piadinhas cotidianas e comentários carregados de preconceito e insensibilidade, ainda que de maneira camuflada, são exemplos: “você tem um rosto lindo”, “você já é bonita, mas se emagrecesse...”, “nossa como você engordou! Está tudo bem?”.As ofensas gordofóbicas também podem ser contornadas por um falso discurso de preocupação com a saúde alheia, mas que em seu cerneobjetiva atingir o outro em sua autoestima.

O sujeito obeso geralmente sofre aprisionado aos estigmas sociais que estão vinculados à sua condição; estigmas de preguiçoso, negligente com a saúde, infeliz, dentre outros; tais caracterizações podem tornar-se gatilhospara a elevação da ansiedade,aumento da angústia e quadros depressivos.

A pressão social relacionada à busca pelo “corpo ideal” e a discriminação quanto ao peso corporal elevado, são situações que precisam ser vencidas de maneira urgente. Costuma-se delegar a responsabilidade desse enfrentamento apenas ao próprio sujeito obeso, onde o mesmo acaba sendo convocado a encarar seus “monstros” e trabalhar em prol de uma maior aceitação e fortalecimento de sua autoestima, além de reeducação alimentar e outros recursos clínicos. Contudo, para uma mudança efetiva na forma de encarar a obesidade, um trabalho de política pública precisa acontecer. Pessoas obesas devem ser vistas como normais e dotadas de potencial como qualquer um.

O excesso de peso de um sujeito, não autoriza ou habilita o outro a atuar como nutricionista (de forma a compartilhar dietas), como médico (fechando diagnósticos), como psicoterapeuta (realizando intervenções) ou ainda como juiz. Todo sujeito precisa sentir-se livre de qualquer aprisionamento social e respeitado em sua individualidade e subjetividade.




Por Bruna Spada

Crédito da Foto: Imagem: Google

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