ÚLTIMAS NOTÍCIAS
ÚLTIMAS

Sem memória, sem identidade

Sábado, 17 de Abril de 2021.

Atualizado em Sexta, 16 de Abril de 2021 às 18:17 horas.

  Sem memória, sem identidade

“A prática da Cidadania Cultural que define a cultura como direito do cidadão e determina esse direito sob três aspectos: como direito de acesso à informação e de fruição da criação cultural; com direito de produção das obras culturais; e como direito de participação nas decisões de política cultural.” (Marilena Chauí).


A preservação da memória coletiva e individual está diretamente ligada a preservação do patrimônio histórico. Quando falamos em patrimônio histórico, falamos também de uma forma de escrita, pois as cidades contam sua própria história, através de sua arquitetura, seus monumentos, sua estrutura, tudo isso colabora como vestígio e objeto de estudo que leva ao historiador tentar compreender as transformações de uma sociedade e contribuição na formação de sua identidade. Na cidade de Três Rios, município a partir de 1939 o conjunto de bens materiais e imateriais que constituem a identidade e o universo social vem sofrendo transformações e interferindo nos valores e pensamento da sociedade, podemos indagar se a falta de política de preservação do patrimônio no decorrer da historia do município, sem política de educação voltada para a preservação de seu patrimônio cultural, em poucos anos de historia, teria contribuído para que esse “progresso” e todo o seu processo de desenvolvimento chegasse ao nível que se encontra? Se buscarmos hoje a arquitetura inicial da cidade, vamos observar que em poucos anos tudo tem sido descaracterizado e destruído. Será que ao olharmos para a arquitetura da cidade atualmente, podemos entender como se constituiu a identidade social da cidade,a identidade política, cultural e étnica? Quando observamos nossa cidade sendo descaracterizada, sem planejamento, sem preservação será que podemos afirmar que os interesses econômicos atrelados ao “falso” progresso sempre sobressaem aos interesses de preservação da nossa identidade, da nossa memória, da nossa história?
Nesses últimos dias estamos sendo alertados sobre o que ainda resta do nosso patrimônio histórico. Como exemplo, podemos citara Casa da esquina da Rua da Maçonaria, denominada Casa Generoso Portela, exemplar único da historia da região e da cidade, datado de 1900, que tem sido objeto de preocupação devido a situação e que se encontra.
A Praça da Autonomia, com seu coreto,bem tombado pelo município e estado, outro exemplo de patrimônio relacionado à participação da comunidade na históriada cidade, se encontra há alguns anos, com o entorno descaracterizado e sem resposta de quando estaremos livresdos irregulares quiosques que interferem em seu conjunto.
Diversos imóveis que são referências para a formação de nossa historia e identidade, tem sido demolidos, descaracterizados sem que as poucas leis e instrumentos que os protegem sejam levados em conta, e podemos dizer que “na marra” tem sido destruídos e em seu lugar surgem as horríveis construções de galpões, tapumes e estacionamentos. Para ilustrar citamos a Casa Modernista da Praça São Sebastião, recentemente demolida sem autorização.
A importância dada à preservação do patrimônio histórico é extremamente relevante, e o que esperamos é que a população e as instituições existentes participem da discussão e que todos tenham compreensão do que foi a origem da nossa cidade e que venham discutir e participar sobre questão da importância da preservação da memória para a formação de identidade, da coletividade trirriense. Que todos possam ser incluídos e tenham direito a voz nas decisões. O que esperamos é que ao menos as leis, bem poucas, mais as que existem possam ser cumpridas, fiscalizadas e respeitadas.
 

Por Vera Alves - Cultura Centro-Sul