Sentido e valor da vida humana

Sábado, 19 de Maio de 2018.

A busca por um sentido na vida é compreendida como uma motivação primária do indivíduo e, em geral, os indicadores da realização existencial se apresentam como preditores do bem-estar psicológico e da qualidade de vida. Por outro lado, o vazio existencial se manifesta, sobretudo, por meio do tédio, o que desorienta a vida do indivíduo, colocando-o numa situação na qual não sabe nem o que quer nem o que deve fazer. Sem saber que caminho seguir, por falta de educação e referência familiar saudável, bases religiosas consistentes, baixa escolaridade e raras oportunidades na vida, muitos, facilmente atraídos pelas pseudo-vantagensdecorrentes das atividades ilícitas, mergulham na marginalidade que tanto ameaça a vida humana nas nossas cidades. Por isso, assaltam, roubam e matam impiedosamente a todo instante, a ponto de nos impor temor de sair de casa para o trabalho, lazer, escola. Ainda que sustentemos ponto de vista adverso ao modelo de distribuição de renda no Brasil, seremos assaltados como os seus defensores, e passamos dias com temores, estresse, a dormir em nossos lares amedrontados de que, de repente, sejamos surpreendidos em episódios de consequências imprevisíveis.
Tal qual os nada mais de 1% da população e grandes beneficiários que ocupam o topo da pirâmide, colhemos os mesmos malefícios da violência urbana que assusta as pessoas nas ruas, estradas, avenidas e ambientes mais diversos fechados, a todo instante. Muitas vezes, sob efeito de drogas como combustível para suas barbáries, os meliantes agem com insensibilidade animalesca, capaz de matar por conta de uma peça de vestiário, aparelho de telefonia móvel e similares. Algo precisa ser feito para que essa avalanche desordeira cesse. Jamais as custas de repressão ou mais derramamento de sangue, seja lá de qual lado for. O importante é transformar as bases norteadoras dos direitos de igualdade na nossa sociedade. Mudanças essenciais para que todos gozem a vida em plenitude, desfrutem dos benefícios públicos em equivalência, de forma a não mais permitir que nossa Constituição apenas atenda aos direitos de uns poucos gananciosos. Nosso país é muito rico, ocupamos destacável posição entre as oito maiores economias do planeta, porém, nossa distribuição de renda e índices de desenvolvimento humano é compatível ao das mais pobres nações do mundo. Afinal, somos ou não iguais diante das nossas leis?
Não há como fugir da lógica. Matemática é uma ciência exata, de onde muito se retira, acaba faltando. Nossos cofres e patrimônio públicos continuam sendo saqueados em decorrência do que se fez legal por conveniência dos poderosos, uns poucos, frente aos milhões de miseráveis condenados à desassistência, às margens de condições humanas fundamentais, ao pleno exercício de cidadania. Saques em favor dos privilegiados que nos custam amargar baixos índices de saneamento básico, vergonhosos percentuais de tratamento e distribuição de água, injustificáveis escores de manejo e tratamento de resíduos sólidos, altos índices de mortalidade infantil e materna, desemprego em constante alta, elevadas taxas de mortes por violência, serviços de saúde e unidades escolares de baixa qualidade e sucateados. Milhares de vidas ceifadas diariamente, muito superior ao de nações em constantes conflitos étnico-religiosos e guerras, mundo afora.
Como cristãos e cônscios de que somente a justiça divina nos dará forças para acalentarmos sublimes esperanças, cabe destacar o escrito no Livro de Mateus, (5:29 e 30. 18:6 a 11) “Se a vossa mão ou o vosso pé vos é objeto de escândalo, cortai-os e lançai-os longe de vós; melhor será para vós que entreis na vida tendo um só pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes lançados no fogo eterno. Se o vosso olho vos é objeto de escândalo, arrancai-o e lançai-o longe de vós; melhor para vós será que entreis na vida tendo um só olho, do que terdes dois e serdes precipitados no fogo do inferno”. Nesse sentido, roguemos que Deus nos afaste das tentações de cair nas garras ilusórias do egoísmo, como os que se utilizam dos saberes acadêmicos e fundamentações jurídicas em benefício próprio,objetivando acumulação de bens materiais, através de favorecimentos individuais ou corporativos. Que Ele nos torne a cada novo dia melhores que os precedentes, e que nos mantenha sempre atentos na luta contra nossas próprias más inclinações.

Por Dr. Willian Machado

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