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Sexo frágil? Que nada!

Sábado, 07 de Março de 2020.

  Sexo frágil? Que nada!

O Dia Internacional da Mulher é celebrado anualmente em 8 de março. A data foi instituída em 1975, pelas Nações Unidas, mas teve origem bem antes, através de múltiplas manifestações femininas pela igualdade de direitos civis em várias partes do mundo. Atualmente pode-se dizer que nós, mulheres, já logramos diversas conquistas – embora haja muito, ainda, por conquistar. E a vitória, como sabemos, não prescinde de luta. Pensando nisso, trouxemos hoje a história inspiradora de três mulheres que, mesmo passando por inúmeras dificuldades, tiveram a capacidade de dar a volta por cima e se reinventar. Este espaço é dedicado a elas e a você, mulher guerreira, que tem o dom de equilibrar a vida e, apesar dos percalços naturais da caminhada, não abdica de sorrir. Sexo frágil? Que nada! Exemplos de superação.
CAPÍTULO I

*SANDRA
O sol forte causava mal estar em todo o corpo; as batidas do coração, sentidas na garganta, tornavam a boca ainda mais seca. Mas ela precisava continuar. Ao longo da caminhada, de pouco mais de três horas, passava e repassava na mente o momento em que a mãe, nervosa, gritou: “Mentirosa! Você quer destruir meu casamento”! Mas ela só queria desabafar. E ser compreendida. Doze anos, menina mulher, abusada desde os cinco pelo próprio pai. E agora, expulsa de casa, engolia o choro, tentando se convencer de que tudo daria certo, enquanto vencia a distância que a separava da casa de uma tia, que a abrigou.

DAIENE
A cabeça girava. O médico falava, falava, e ela não conseguia ouvir mais nada... Seu mundo acabava de desabar. Aos 19 anos, a gravidez não estava em seus planos. Mas ela e o namorado ficaram felizes e decidiram seguir em frente. Estava no sétimo período da faculdade de Direito. Planejava formar-se o quanto antes e conciliar carreira e maternidade. Já tinham tudo planejado e acertado. Por isso não podia compreender aquele momento: como é que, aos quatro meses de gestação, um médico vem e diz que seu amor, o pai de seu filho, então com 29 anos, tinha câncer terminal?

*ANDRESSA
“Você parece um elefante. Meu filho não merece uma esposa como você.” As palavras da sogra, que chegara ao cúmulo de arranjar outra mulher para seu marido, ecoavam na cabeça. Não bastava tudo que tinha que aguentar dele. Eram 17 anos de humilhação, sofrimento e depressão. No início, claro que foi bom. Tinha paixão e um pouco de romantismo. Logo, porém, vieram os problemas. Pequenos abusos, jeito autoritário de falar, maneira de diminuí-la e induzi-la achar que a culpa era sempre dela. Em seguida, traições e o vício das drogas. Foram muitas noites sem dormir. A ansiedade e a frustração só faziam aumentar o peso na balança. Mas ela precisava lutar pela família, diziam. Aos 110 quilos, não aguentava mais. Ali era o fundo do poço.

O papel da mulher
No período colonial, o papel da mulher estava restrito quase que exclusivamente ao cenário doméstico. Donas de casa submissas, mães, objetos de desejo sexual com inteligência restrita. A educação, via de regra, versava sobre culinária e costura. Ler e escrever não eram necessidade, a menos que a mulher em questão pudesse ser útil como empregada no comércio, por exemplo.
O casamento vinha cedo. Quanto mais cedo, melhor. O código de conduta matrimonial, ditado pelas regras sociais, impunha dedicação ao lar, ao pai e ao marido que, de acordo com as leis locais (a colônia, tal qual a metrópole, era regida pelas severas Ordenações Filipinas), podia matá-la caso suspeitasse de que foi traído. No resto do mundo não era diferente. Mães solteiras, geralmente enganadas por falsas promessas de ‘príncipes encantados’, eram humilhadas e rejeitadas pela sociedade.
Na República, as leis continuaram reproduzindo a ideia de que o homem era superior. O Código Civil de 1916, por exemplo, dava às mulheres casadas o status de ‘incapazes’. Elas só podiam assinar contratos ou trabalhar fora de casa se tivessem a autorização expressa do marido.
O tempo passou, e as mulheres vieram conquistando seu espaço na sociedade com luta e sacrifício. Seu papel vem se redesenhando. Mas a verdade é que, desde aquele período, elas vêm mostrando o quanto são fortes ao superar seus problemas e suas dificuldades.

*Estes relatos foram autorizados pelas autoras a serem reproduzidos, com detalhes fornecidos por elas. Os nomes das protagonistas são fictícios, exceto o de Dayene Magalhães, do Rio de Janeiro, que permitiu sua identificação.

Continua na próxima publicação

Por Daniele Barizon