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Sexo frágil? Que nada! (final)

Sábado, 21 de Março de 2020.

  CAPÍTULO III

SANDRA
Passou anos dopada. Voltou a reunir forças e procurar ajuda quando a filha perdeu o pai, em 2010. Ver o sofrimento da pequena lhe partia o coração. O que estava fazendo por eles? O que queria para o futuro deles, financeira e emocionalmente? Foi então que decidiu que parar de sofrer pelo passado, ignorar as dificuldades do presente, e trabalhar pelo futuro. Sandra, hoje, mora só com os filhos. É chefe escoteira e psicóloga. Todos os dias, diz, cumpre a promessa que fez a si mesma quando era pequena, de que “um dia faria dos limões uma limonada” e usaria seu sofrimento para ajudar aos que necessitam, orientando-os e provando que é possível sim, mesmo diante das maiores dificuldades, dar a volta por cima, emergindo do fundo poço.

DAYENE
Dayene voltou à faculdade com a ajuda da mãe. No nono período, passou na prova da OAB. Fez terapia, tomou remédios, casou de novo. Hoje, separada, trabalha em uma instituição bancária.

ANDRESSA
Alessandra deu o basta que precisava. Concluiu que merecia mais e largou o marido. Não tem a menor dúvida de que fez o melhor por ela e as filhas. Relacionamento abusivo nunca mais!


Motivação para a mudança
Para ajudar a superar as dificuldades, a psicóloga Cíndia Medeiros destaca a importância, além do acompanhamento psicológico, do apoio familiar, do parceiro e de amigos, para aquelas que hoje buscam fazer a diferença, seja por desejo próprio ou necessidade. “Não é muito fácil viver sempre tendo que provar o seu valor, sua força, sua capacidade. Em alguns momentos até as ‘Mulheres Maravilhas’ precisam de um colo, de um abraço, de um ombro amigo, para recarregar suas energias e seguir as batalhas”.
Para *Sandra, que também é psicóloga, grupos de apoio, sejam reais ou virtuais, também têm papel relevante neste processo. “Grupos de apoio feminino que trabalham empoderamento, autoestima, autoconhecimento, troca de informações, identificação, empatia, valores e ajuda mútua são de imenso valor nesse processo de valorização de si mesma”, diz.
Segundo ela, é preciso ter motivação para buscar a mudança. Em seu caso, ajudar a filha foi fundamental. O atendimento psicológico também é primordial: “O sofrimento é subjetivo. Cada pessoa tem um limite e um motivador únicos para sair de situações de conflito. Uma orientação válida é não se vitimizar. Não perguntar o porquê; mas buscar o "pra quê", pois essa pergunta te coloca como ser ativa, autora de sua vida. Precisamos nos responsabilizar por nós mesmas e pela situação para encontrar saídas. Quando eu sofria tentava imaginar pra que aquele sofrimento serviria. E jurei a mim mesma que um dia faria dele alicerce para ajudar outras pessoas que sofrem. Hoje posso dizer que consegui!”
*Estes relatos foram autorizados pelas autoras a serem reproduzidos, com detalhes fornecidos por elas. Os nomes das protagonistas são fictícios, exceto o de Dayene Magalhães, do Rio de Janeiro, que permitiu sua identificação.

Por Daniele Barizon