Sexualidade:falta diálogo no contexto familiar

Quinta, 28 de Junho de 2018.

O assunto sexualidade é negligenciado em muitos arranjos familiares, permanecendo fora da “grade” de educação e desenvolvimento dos filhos. No geral, os pais ou cuidadores,por não possuírem informações suficientessobre o tema em questão ou por não terem tido acesso a esse tipo de diálogo ou conversa aberta em sua família de origem, reproduzem tal postura contribuindo para a perpetuação do tabu que perpassa essa temática.

Na adolescência, por volta dos 12 anos de idade, o indivíduo se depara com a puberdade, período de transição do corpo infantil para um corpo mais erotizado, que já é capaz de despertar o interesse de outros. Dentre as principais transformações da puberdade, podemos citar: crescimento dos seios e pênis, aumento dos pelos pubianos, a primeira menstruação e ejaculação, dentre outras.

Nessa fase, a conversa sobre sexo não pode ser adiada ou postergada.Os pais precisam criar um espaço de confiança, para que seus filhos possam sanar suas dúvidas e curiosidades. Os adolescentes tendem a se afastar das figuras materna e paterna por natureza, identificando-se com seus paresnaconstrução e formulação de uma nova identidade.Se a família não proporcionar um espaço de escuta e aproximação, esse distanciamento pode tornar-se um abismo.

Muitos são os pais que erroneamente acreditam que ao abrir espaço para conversas com seus filhos sobre sexo, estarão “aguçando” a curiosidade dos mesmos e contribuindo para um exercício sexual precoce; o que é uma grande ilusão, visto que a falta de informação pode trazer prejuízos de maior relevância, como: uma gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis e ainda uma primeira experiência sexual ruim e traumática por ter sido vivenciada de forma prematura, por pura curiosidade, idealização ou pressão social.

Quando os adolescentes não encontram acolhimento para suas angústias, incertezas e dúvidas no contexto familiar procuram outras referências ou fontes de informação, como o grupo de amigos ou o próprio universo digital/virtual.

É papel dos pais dialogar e criar espaços de reflexão com seus filhos sobre: a responsabilidade que envolve ter uma vida sexual ativa, métodos contraceptivos, planejamento familiar, gravidez indesejada, diferenças de gênero na sociedade,doenças sexualmente transmissíveis, e outras demandas que surgirem.

Psicóloga Bruna M. Spada Sant’Anna, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro: Psicologia Temática e Colunista do Jornal ENTRE-RIOSe da Revista Minha Saúde.

Por Bruna Spada

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