Somente o outro NÃO!

Quinta, 09 de Agosto de 2018.

Existem pessoas que nos relacionamentos que constroem acabam sempre assumindo um lugar de inferioridade, geralmente de forma inconsciente, sendo o outro a sua prioridade. Seja no grupo de amigos, na dinâmica familiar, no ambiente de trabalho ou até mesmo no relacionamento amoroso, esses sujeitos tendem a abrir mão de seus desejos, vontades e até convicções em prol do bem estar e realização do ser que de certa forma idealiza. Há uma “morte” simbólica de si em função do fortalecimento e “vida plena” do outro, o que é extremamente disfuncional e patológico.
No geral, tal comportamento compõe a personalidade de indivíduos inseguros e imaturos, que possuem muita dificuldade em dizer e principalmente, sustentar “nãos”. Seu lema é agradar e suprir as necessidades alheias, ainda que isso esteja relacionado a um sacrifício pessoal injusto. Frustrar o outro representa de maneira simbólica sua própria reprovação e desajuste, além de uma ameaça real de abandono.
O medo de desagradar ou de ser rejeitado faz com que o mesmo diga sim a tudo, até mesmo diante de situações que desaprova. É como se o “sim” estivesse relacionado à aprovação, reconhecimento, acolhimento e amor, enquanto que o “não” à rejeição e desamparo.
Quando o sujeito não respeita suas próprias necessidades e renuncia a seus desejos de maneira exaustiva, esvazia seu “EU”, permanecendo em um lugar simbólico de menos valia, com baixa autoestima, frustrado e na condição de vítima permanente.
Romper com o medo irreal do abandono, saber se priorizar e investir de maneira equilibrada na relaçãosão condições fundamentais e indispensáveis à saúde mental e qualidade relacional. Não engolir verdades, mas dizê-las com sensatez faz com que o indivíduo consiga sustentar suas escolhas, regatar sua voz e constituir-se enquanto sujeito desejante.

Psicóloga Bruna M. Spada Sant’Anna, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro: Psicologia Temática e Colunista da Revista Minha Saúde

Por Bruna Spada

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