Tatuagens

Sexta, 14 de Setembro de 2018.

Tatuagens

Mal realizamos a troca de chapa, sai Lula, sobe Haddad e entra Manuela, lá vem um amigo, que detesta o Lula e pensei que, com sua saída da corrida presidencial, suavizaria nossas relações na reta final da campanha, e posta uma foto da Manuela Dávila enquanto adolescente. E o preconceito se mostrava, desta vez, não contra um nordestino, mas transportado para as tatuagens que ela carregava no corpo. As legendas da postagem eram: “Olha a vice do PT. Meu Deus!”
Tatuagens são marcas das nossas paixões adolescentes que muitos tiveram a vontade de eternizar no corpo. Enquanto eu, e o meu amigo, preferimos que elas ficassem marcadas apenas na alma. Uma questão de gosto. Somos, hoje, o que somos, mas não podemos esquecer, mesmo sem tatuagens, o que fomos um dia. E meu amigo, como eu, tivemos sorte de que algumas marcas dos primórdios da nossa evolução não tenham sido perpetuadas. Como não ficaram, a gente esquece. Mas está na conta, como negar?
Uma pena que o antipetismo não conseguiu se desgarrar da pele de alguns amigos. Assim como o Macarthismo, uma fobia anticomunista disseminada nos anos 40/50 pelo senador republicano Joseph McCarthy, que passou para a história como um movimento radical de perseguição política, desrespeito aos direitos civis, espionagem interna e que acabou difundindo um clima amedrontador que limitou a liberdade de opinião nos EUA, o antipetismo nada irá contribuir para nossa evolução democrática.
Somos, há 30 anos, militantes de um partido que a história há de registrar sua importância. Com seus erros, acertos, mas que até o mais feroz do Marco Antonio Villa reconhecerá seu valor histórico ao ser fundado por trabalhadores e governar nosso país por quatro eleições presidenciais seguidas após os regimes neoliberais. As marcas das desavenças políticas que ao longo do tempo não tatuei, com as carinhas do Collor, FHC, Serra, Alckmin e Aécio Neves, que bom, não combinaria na pele de quem procurou evoluir e, hoje, os vê apenas como adversários. Não mais como inimigos.
Agora, se meus amigos preferem tatuar no corpo, como marca desta eleição, a imagem do seu vice, o General, da reserva, Antonio Mourão, no lugar da Manuela, titular na preferência da gente, aí é questão pessoal. Não mais de história política.

Por José Roberto Lopes Padilha

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