Teatros do Brasil (parte II): Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Sábado, 16 de Março de 2019.

Desde meados do século XIX a cidade do Rio de Janeiro viva em um esplendor cultural, recebendo diversos artistas vindos do exterior. D. Pedro II, monarca de elevado espírito intelectual, empolgava-se em hospedar, em nosso país, músicos, escritores, artistas plásticos, cientistas e engenheiros na esperança de que esse intercâmbio trouxesse avanços para nosso povo. Com o advento da República (1889), a herança cultural de origem europeia deixada pela monarquia permaneceu manifesta em artistas como nas obras do músico Francisco Braga (1868-1945), no escritor e dramaturgo Arthur Azevedo (1855-1908) e no pintor Pedro Américo (1843-1905).
No início do século XX, o então prefeito do Rio de Janeiro Francisco Pereira Passos (1836-1913) decide realizar uma reforma urbanística na cidade a fim de modernizá-la conferindo-lhe características “europeias” através de um projeto vulgarmente denominado de “Bota-abaixo”, por causa das constantes demolições de edificações antigas consideradas inapropriadas ou insalubres. Assim, diversos casebres e cortiços no centro da cidade deram lugares a ruas amplas e avenidas, e as edificações começavam a ganhar contornos da “Belle Époque”. A nova cidade deveria ser construída nos modelos parisienses.
Nesta época, muitos artistas reivindicavam uma sala de espetáculos digna dos projetos de Pereira Passos. Após diversos atos político-administrativos, lançou-se edital para a construção de um novo teatro para a então capital da República. Ironicamente, o projeto selecionado foi o de Francisco de Oliveira Passos, filho do prefeito (!!!), com um desenho inspirado na ópera de Paris.
O trabalho de construção iniciou-se em 1905. Cerca de trezentos operários se revezavam em dois turnos de trabalho. Quatro anos e meio após o início das obras o edifício estava concluído, sendo inaugurado em 14 de julho de 1909. Inicialmente o teatro poderia comportar até 1.739 espectadores e estava equipado com modernos recursos de à disposição para peças teatrais, concertos, óperas e balés.
Em 1934 o teatro recebeu sua primeira grande reforma, ampliando sua capacidade para mais de 2.200 espectadores. Nesta reforma foram realizadas modernizações significativas, com a instalação de diversos equipamentos, dentre eles, um ar-condicionado central. Entre as décadas de 1960-70 o teatro testemunhou um período de declínio, contudo, em 1975, recebe uma grande reforma de revitalização, quando é criada sai Central Técnica de Produção, dando novo fôlego às suas realizações. Atualmente o Theatro possui corpos artísticos próprios: orquestra sinfônica, coro e ballet; além de uma escola de dança e de sua já citada central técnica, estruturas indispensáveis para a realização de diversos espetáculos.

Por Vinícius Pereira

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