Teatros do Brasil: Século XIX

Sábado, 09 de Março de 2019.

Teatros do Brasil: Século XIX

Em um país de rica cultura, onde o erudito, o popular e o folclórico convergem, numerosa foi a produção musical ao longo de sua história. Para conhecermos os principais palcos onde essa arte se manifesta, apresento publicações com os principais teatros do país, construídos na era de ouro da ópera e da música de concerto no Brasil.
Com a chegada e estabelecimento da corte portuguesa no país (1808), a indústria dos espetáculos de ópera, que despontava timidamente, ganha forças sem precedentes. Vários músicos, instrumentistas, cantores e compositores, deixaram a Europa para trabalharem na corte de D. João VI. Para atender à essa nova demanda por espetáculos líricos fez-se necessária a construção de um teatro com estruturas adequadas, em contraposição às casas improvisadas utilizadas até então. Inaugurado em 1813, o Teatro São João (foto), foi assim batizado em homenagem ao monarca luso-brasileiro. Possuía acomodações amplas e era bem equipado. Era frequentado pela nobreza e pela aristocracia do Rio de Janeiro. Óperas de grandes compositores europeus, como o italiano Gioacchino Rossini (1792-1868) eram frequentemente representados na casa. O teatro sobreviveu a diversas tragédias, como incêndio e o abandono. Ainda encontra-se em funcionamento e chama-se, atualmente, Teatro João Caetano. Está situado na Praça Tiradentes, centro do Rio de Janeiro.
Outro importante teatro da então capital brasileira é o Teatro Lyrico Fluminense. Construído em 1854, este teatro foi palco para muitos concertos importantes, como a notável apresentação do pianista virtuose Louis Moreau Gottschalk (1829-1869), em conjunto com mais de trinta pianos, acompanhados por uma orquestra com mais de quinhentos músicos!
Com a inauguração do Teatro D. Pedro II, em 1871, o Lyrico Fluminense entra em declínio, encerrando suas atividades em 1875. Assim, o Teatro Pedro II passa a dominar o cenário da ópera e da música de concerto na capital do império no final do século XIX. Com o advento da República (1889), o teatro é renomeado para Teatro Lyrico, permanecendo em atividade até 1934 quando, então, é demolido. Neste teatro aconteceu uma récita importantíssima para a história da ópera mundial: nele, em 1886, o jovem violoncelista Arturo Toscanini (1867-1957) é convocado a substituir o maestro titular da orquestra na apresentação da ópera Aída, de Giusepe Verdi (1813-1901). Desta apresentação, sobrevieram muitos elogios da crítica, o que marcou o início de uma brilhante carreira na regência.
A sucessão do Teatro Lyrico Fluminense foi marcada no século XX pela construção do atual Theatro Municipal do Rio de Janeiro (1909), fruto do desejo dos governantes da República Velha em transformar a capital do país em uma “nova Paris”. Esses esforços se caracterizaram pelo estabelecimento de uma arquitetura alinhada à “Belle Époque”, o que será tratado à posteriori.

Por Vinícius Pereira

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