Técnico do futuro. Time do presente

Terça, 13 de Agosto de 2019.

Técnico do futuro. Time do presente

Nenhum treinador inventa qualquer sistema Tic Tac, como o Pep Guardiola o fez, se não tiver no nascedouro do passe jogadores da qualidade de um Xavi. Com o Iniesta ao lado, que não erra um só deles, será ainda mais fácil.
Mas com o Digão tentando sair jogando, a festa será sempre dos adversários. Sábado, contra o Atlético Mineiro, ele, que não sabe sair jogando, continua a tentar sair jogando. O resultado vocês sabem quanto foi.
Não tem mais como curar quem, como ele, foi criado zagueiro-zagueiro e tenta dar início às jogadas sem as habilidades de um meia armador. Logo ele, Digão, desde cedo ouvindo os conselhos de seus treinadores de jogar “a bola para o mato, que o jogo é de campeonato”. O "Faz o simples, negão!" ele escuta desde as escolinhas.
A não ser que ele comece seu laboratório nas divisões de base. Crie uma escola, em Xerém, em que uma nova geração se gradue jogando do jeito que ele quer. Dos infantis até os profissionais. E não será Fernando Diniz a impor um sistema inovador, em que seus goleiros e zagueiros saiam jogando com os pés, sem que tenham a qualidade do passe, a intimidade com a bola, que vai dar certo.
Deu errado no Atlético Paranaense e se arrasta no Fluminense porque são os ingredientes, e não a receita pronta, o segredo de uma sistema tático montado por um grande treinador.
Se o futebol é momento, e o Campeonato Brasileiro é de 2019, não de 2030, até quando iremos esperar para trocar nosso técnico do futuro por um treinador do presente?

Por José Roberto Lopes Padilha

B01 - 728x90