Tempestades e desastres ambientais: Do imprevisível ao evitável em gestões públicas competentes

Sábado, 13 de Abril de 2019.

Nos últimos anos, os eventos extremos têm causado constantes impactos nas grandes regiões metropolitanas brasileiras. Estes podem ocorrer na forma de ondas de calor, períodos de estiagem, inundações, deslizamentos, entre outros. Como se tem observado, as estiagens, as inundações e os deslizamentos são os desastres naturais mais frequentes no país. Nos períodos de estiagem, geralmente, no outono e inverno (maio/setembro), a poluição atmosférica aumenta exponencialmente devido às queimadas, causando problemas respiratórios que podem se complicar quando afetam idosos e crianças, os mais vulneráveis. Embora cientes do mal que causam à saúde da população, muitos insistem no hábito de tocar fogo na vegetação presente na beira das estradas, ou em áreas urbanas reservadas aos programas de reflorestamento, como se tais condutas não lhes possam afetar, como tantos transtornos causam aos próprios familiares e desconhecidos.
As inundações, por sua vez, quando decorrentes de chuvas torrenciais, nos expõem a altos riscos de contaminação e doenças como a leptospirose, transmissível pela urina de ratos, porque a água percorrendo ralos e bueiros acaba por se misturar a todo tipo de dejetos neles presentes. Acumuladas em poças servem de criadouros para proliferação de vetores de uma série de doenças evitáveis, caso os serviços públicos funcionassem.Sempre com maior gravidade para pessoas de baixa renda que residem em habitações sem estrutura adequada, localizadas as margens de córregos onde fluem esgotos in natura e resíduos domésticos descartados de maneira inadequada. Várias famílias tem suas casas invadidas por imensos volumes d’água contaminada, perdendo móveis, roupas, alimentos, documentos e o pouco que conseguiram ao longo de anos de árduo trabalho. A propósito, a falta de programa habitacional voltado para atender as populações de baixa renda tem sido questão recorrente na gestão das três esferas de governo. Quando surgem, logo são alvo das conhecidas manobras políticas e objeto a serviço de interesses escusos das velhas raposas que habitam nossas casas legislativas, e acabam sem cumprir os objetivos a que deveriam. Tudo é feito no maior descaramento, nada obstante as denúncias dos veículos de comunicação e ações da justiça para inibir e dar fim às quadrilhas com rigores das leis, porém, sempre ressurgem com novos personagens e esquemas criminosos.
Os deslizamentos ganharam maior destaque na mídia eletrônica e impressa devido aos impactos socioambientais ocasionados nas grandes áreas urbanas, a exemplo do elevado número de mortes, feridos e desabrigados, proliferação de doenças, perdas econômicas onerosas, impactos ao meio ambiente, dentre outros. O caráter extremo desses eventos, por mais que possa nos surpreender, não implicaria necessariamente em tantos desastres causados ao meio ambiente, saúde e a qualidade da sociedade da sociedade, caso fossem implementadas políticas públicas efetivas de prevenção dos agravos causados aos mais vulneráveis. Tratam-se de fenômenos previsíveis e anunciados pelas agências oficiais de meteorologia, amplamente divulgados pelos meios de comunicação, para que sejam tomadas providências cabíveis pelos órgãos de competência, mas, por falta dessa, tem resultado em recorrentes tragédias sazonais, sem criteriosa apuração de responsabilidades e criminalização dos maus gestores públicos neles envolvidos.
Esses impactos estão fortemente relacionados com a maior exposição da população a riscos diversos, acarretando em uma situação de vulnerabilidade cada vez mais recorrente. É bem verdade que o fenômeno da urbanização desordenada presente nas grandes e médias cidades brasileiras contribui ainda mais para um aumento nos impactos ocasionados por episódios de precipitações extremas, as quais atingem, principalmente, as populações mais vulneráveis. Sem contar com a seriedade responsável dos gestores públicos que administram nossas cidades, resta-nos pedir pela interseção divina, de modo a nos proteger da ocorrência de episódios climáticos severos, como as temidas tempestades, até porque sabemos da negligência imperante nos serviços públicos de previsão e manutenção de condições seguras da rede de esgoto e drenagens das águas das chuvas, mesmo as de menor volume pluviométrico. De nada adiantam os dispositivos de alarme instalados nas áreas habitacionais altamente propensas aos desastres climáticos, se eles não soam quando deveriam por problemas de manutenção desses equipamentos. Tão menos útil caso soassem os sistemas de alerta, sem que seguidos por prévias orientações da população quanto aos procedimentos e caminhos a trilhar para alcançar local seguro onde se concentrar, sob supervisão de equipes especializadas em operações resgate, como tanto se repete nesses episódios de grandes variações climáticas enfrentados pela sociedade brasileira. Afinal, o que nos falta para ascender ao estágio de sociedade civilizada?

Por Dr. Willian Machado

B01 - 728x90