Tomou Doril? O Glenn o descobriu!

Sábado, 13 de Julho de 2019.

Tomou Doril? O Glenn o descobriu!

Quando optei pelo jornalismo em detrimento ao Direito, achava que poderia alcançar meus sonhos de justiceiro não mais pela toga. Mas pela caneta. Os filmes que fizeram minha cabeça eram os que acabavam nos tribunais. Promotor de um lado, advogado de defesa de outro e um juiz que deveria ostentar a mais alta sabedoria e ilibada conduta a ponto e todos se levantarem quando anunciada sua triunfal presença. E acatar sua sentença como se fosse porta voz da divindade. E a verdade surgiria antes que as legendas subissem: The End.
Como gosto de política, encontrei em “Todos os Homens do Presidente” e em “The Post” a inspiração máxima. Neles, a coragem e independência dos jornalistas derrubaram um Presidente, Nixon, e revelaram a covardia que os governos americanos fizeram com milhares de jovens ao enviá-los a uma guerra suicida e perdida no Vietnã.
Mesmo diante das perseguições, da resistência da sociedade capitalista, saí da sala de exibição tendo absoluta certeza que a liberdade de imprensa e de expressão seriam, igualmente, meios da alcançar a justiça. Porém, se não falasse a língua dos patrocinadores da empresa em que trabalhasse, seriam nossos artigos censurados. E nos meus sonhos mais otimistas, me tornaria um Paulo Henrique Amorim.
Porém, este símbolo da independência da nossa comunicação foi sendo covardemente afastado do primeiro escalão. Primeiro da Globo, depois de outras emissoras porque insistia em colocar a verdade acima dos interesses que bancavam a redação. Sua coragem o levou ao jornalismo independente, mas perseguido impiedosamente pelos poderosos de plantão, não resistiu. Teve um infarto e se tornou mais uma vítima da ditadura.
Dante deste impasse, como nos portaríamos diante deste quadro? Sendo um jornalista boneco como Merval Pereira? Uma Barbie, como Mirian Leitão? Ou um ventríloquo chamado Willliam Bonner? Em meio ao desânimo com minha profissão, eis uma esperança que surge na telinha: Gleen Grenalwd.
Sabatinado pelo Senado, quando interpelado por um ser alienígena que veio no rabo do cometa, e acabou no parlamento sem saber o grau de importância daquela casa, este lhe perguntou: “Porque você não coloca seu material à disposição das nossas autoridades judiciais?”. Ele respondeu: “E quem vai denunciar a justiça quando ela não se mostrar justa?”. Como quarto poder, primeiro a gente publica, depois sim, eles nos julgam. Somos independentes. Somos o quarto poder.
Fui dormir com meus sonhos renovados. Porque um cidadão mais do que suspeito pode continuar a ser protegido pelos filhos do executivo. Ocultado com a conivência do chefe do judiciário. D da maioria que veio no rabo do cometa Bolsonaro no legislativo. Mas só o jornalismo, e sua independência, poderá encontrar o Queiroz. Pois se ele tomou Doril, e sumiu, só o Glenn para descobrir o seu esconderijo no Brasil.

Por José Roberto Lopes Padilha

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