Uma Madeira de nos dar orgulho

Terça, 22 de Janeiro de 2019.

Uma Madeira de nos dar orgulho

Embora seja um direito garantido na Constituição, a estabilidade do servidor público, o governador do estado, Wilson Witzel, afirmou na edição de O Globo, de domingo, que “é preciso repensar, discutir tal estabilidade, pois a demissão de servidores é de difícil aplicação e sempre passível de contestação na Justiça.” Para um governador que nunca foi gestor público, no seu imagin ário “servidor público” é aquele cidadão acomodado ao longo dos anos atrás de um balcão, que se limita a bater ponto e meter seu carimbo nos documentos oficiais. Uma pena que ele, Witzel, não conheça Jorci Madeiro de Mattos, o Madeira.
Diz a lenda, que roda o Saaetri e percorre cada canto da administração pública, que ele é o servidor público número 1 do nosso município. O funcionário do ano de todos os anos. O primeiro a chegar quando um cano d’água é rompido e o ultimo a sair enquanto ela não voltar a circular pela cozinha, copa, banheiro e amenizar o calor de sua gente. Também é um dos raros servidores em que é concedido o direito, inquestionável e respeitado por todos, mesmos os motoristas ocupantes do “Number One,” de ter as chaves de um carro chapa branca da sua autarquia, estacionado dia e noite em frente sua casa, diante da confiança e seriedade com que conduz o seu ofício emergencial ao longo dos anos. Não tem sábado, domingo ou feriado, ocorreu um vazamento..."chame o Madeira!" Se todas as secretarias tivessem um servidor como ele, como a Cultura tem o José Rodrigues de Almeida, e a Setures o Prof. Sérgio Corrêa, o Queixinho, o responsável pela pasta poderia levar a família para Cabo Frio todo fim de semana que nem um pingo d'água tiraria seu sossego naquele paraíso.
Neste domingo, não foi diferente. Quando me dirigia a Paraíba do Sul para nosso tour de bicicleta pelo asfalto da Barrinha, quem estava cuidando sozinho de um rompimento da tubulação que afetaria todo o bairro Habitat? Embora não seja recomendado interromper uma atividade esportiva assim, sob pena de abalar bruscamente a freqüência cardíaca, parei para registrar esse momento. Que será enviado ao governador com a seguinte observação: que tal no lugar de repensar a estabilidade do servidor público, diminuir os seus cargos de confiança e aumentar a confiança em seus efetivos, valorizando-os e melhorando seus salários?
E no lugar das tábuas rasas que saem do palanque e vão ocupar postos chaves na administração pública, enfraquecendo as estruturas administrativas, o estado passe a dar valor às suas madeiras de lei. Porque o Rio de Janeiro, fragilizado, roubado e humilhado precisa de homens assim, como o Madeira, para estancar não apenas a água perdida, mas o descaso e a corrupção que andam vazando por todos os canos e cantos.

Por José Roberto Lopes Padilha

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