Uma paixão Odairzinho

Terça, 26 de Março de 2019.

Uma paixão Odairzinho

Bem que o Luiz Roberto, o locutor oficial do Fla-Flu, procurou um jeito e juntou informações de todos os lados para que aquele público fechasse a conta. E atingisse 5O mil torcedores. Chegou perto, mas poderia o Maracanã está aberto até agora que ficaria no 48, 49 mil e 900 pagantes, que nada preencheria por lá o vazio do amor que ele carregava pelo Flamengo.
E nas arquibancadas, na sala de uma casa, em um churrasco de aniversário e no imaginário de uma saudável rivalidade ficou faltando, pela primeira vez num Fla-Flu que assisti em vida, uma paixão Odairzinho.
Sempre foi grande, na cultura, no jornalismo, na política, mas nasceu filho de um Odair Gama ainda maior. E se tornou Odairzinho. Estava no hall de um hotel quando recebi a notícia. E ela nos jogou, outra vez, nos porões da inquietude. Na reflexão sobre os critérios, ou a falta deles, quando levam da vida da gente pessoas próximas e queridas. Tiram do ar um apaixonado por ela, e a vida seguirá sem graça, com menos arte ou inspiração por não ter mais ao lado sua paixão Odairzinho.
Ele não deixou barato, primeiro com a Andréa, depois com a Gabrielle, o pouco tempo que lhe foi concedido. Cedo se entregou ao jornalismo, e o fez com brilhantismo. Pois se tinha nas veias um legado político, se elegeu um vereador ativo, preocupado em criar leis, seguir a caneta dos atos do executivo, respeitar cada voto concedido. Porém, diferente do assistencialista, do vereador do bairro que dirigia uma ambulância e carregava gente para a hemodiálise porque o governo da época não o fazia, trataram de devolvê-lo sem direito a voto à uma sociedade carente de bons edis.
Não satisfeito, ajudou o Prefeito Celso Jacob a erguer uma cidade educação. E fez do espaço frio de um templo de consumo uma galeria de arte. Desde que assumiu a organização do Olga Sola, não teve uma só semana que sob sua batuta e apoio do Joel São Tiago, sempre ele, sempre o Sesc, um artista trirriense não tivesse espaço para expressar seu brilho. Você ia lá conjugar o verbo comprar, mas cada exposição obrigava nossa mediocridade a transitar por outros caminhos.
Se todos fossem assim, adotassem uma paixão Odairzinho, uma cidade, e seus shoppings, os clubes de futebol, uma roda de amigos, todas seriam ainda mais interessantes, festivas, polêmicas e revolucionárias. Ele fez a sua parte e sua existência foi um exemplo de determinação e entrega que merecem ser copiados. E seguidos. Descanse em paz, companheiro que não era do meu partido. Mas que parte deixando uma saudade danada em todos os cantos e partidos.

Por José Roberto Lopes Padilha

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