Vacinação como garantia de vida com saúde e novas ameaças de surtos epidêmicos: alerta necessário

Sábado, 07 de Julho de 2018.

Como assevera o ilustre professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, YuvalNoahHarari, na obra “SAPIENS – Uma breve História da Humanidade”, durante maior parte da história, os humanos não sabiam nada sobre 99,99% dos organismos do planeta, em especial, os micro-organismos. Não que eles não fossem do nosso interesse. Cada um de nós carrega dentro de si bilhões de criaturas unicelulares, e não só como caronas. Elas são nossas melhores amigas e nossas piores inimigas. Algumas digerem nossos alimentos e limpam nossos intestinos, enquanto outras causam doenças e epidemias. Mas foi só 1674 que um olho humano viu um micro-organismo pela primeira vez, quando Anton van Leewenhoek deu uma espiada através de seu microscópio caseiro e ficou impressionado ao ver um mundo inteiro de criaturas minúsculas dando voltas em uma gota d´água. Durante os 300 anos seguintes, os humanos se familiarizaram com uma enorme quantidade de espécies microscópicas.
Mesmo que derrotar a morte pareça um objetivo distante, já alcançamos coisas que eram inconcebíveis há alguns séculos. Em 1199, o rei da Inglaterra Ricardo Coração de Leão foi atingido por uma flecha em seu ombro esquerdo. Hoje diríamos que sofreu um ferimento sem importância. Mas, em 1199, na ausência de antibióticos e métodos de esterilização eficazes, essa pequena ferida se infectou e a gangrena se instalou. No século XII, a única maneira de impedir que a gangrena se instalasse era amputar o membro infectado, algo impossível quando a gangrena era em um ombro. A gangrena se espalhou pelo corpo e o rei e ninguém pôde ajudá-lo. Ele morreu agonizando duas semanas depois.
Mesmo no século XIX, os melhores médicos ainda não sabiam como evitar a infecção e impedir a putrefação de tecidos. Nos hospitais dos campos de batalha, os médicos rotineiramente amputavam mãos e pernas de soldados que eram vítimas até mesmo de ferimentos menores, temendo a gangrena. Essas amputações, bem como todos os outros procedimentos médicos (como extração de um dente), eram feitas sem anestesia. A primeira anestesia – éter, clorofórmio e morfina – só passou a ser usada regularmente na medicina ocidental em meados do século XX. Antes do advento do clorofórmio, era preciso que quatro soldados segurassem um companheiro ferido enquanto o médico amputava o membro atingido.
Por outro lado, em se tratando do atual fantasma das doenças erradicadas que voltaram a se manifestar, é importante considerar que nos serviços de saúde, a vacinação de rotina deve ser realizada em conformidade com as normas do Programa Nacional de Imunizações - PNI, segundo o calendário de vacinação estabelecido pelo Ministério da Saúde. Uma dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade; uma dose da tetraviral(sarampo, caxumba, rubéola e catapora) aos 15 meses de idade; duas doses da tríplice viral entre dois e 29 anos de idade; e uma dose da tríplice viral dos 30 aos 49 anos de idade, de acordo com a situação vacinal encontrada. A poliomielite, por sua vez, é uma doença infectocontagiosa viral aguda, descrita desde a Antiguidade, porém, reconhecida como problema de saúde pública somente no final do século XIX, quando epidemias começaram a ser registradas em vários países do mundo, outro fantasma que nos rodeia e tem tirado nosso sono, não obstante a regularidade das campanhas nacionais de vacinação e imunização da paralisia flácida aguda, popularmente conhecida paralisia infantil.O público-alvo da vacinação, que previne a paralisia infantil, são crianças de seis meses a cinco anos de idade.A vacina contra poliomielite deve ser administrada por via injetável e oral apenas na terceira dose, dada aos 6 meses de idade. Cada dose oral corresponde a duas gotas, que equivalem a 0,1ml.
O PNI tem promovido múltiplos avanços, a exemplo da modernização do Sistema de Informações do PNI (SI-PNI) em andamento. Contudo, a captação dos não vacinados requer estratégias de vacinação para conhecer a população adscrita aos serviços de saúde e buscar, entre eles, a população flutuante, fazendo-se necessária a implementação imediata do SI-PNI em todos os municípios, além da análise e vigilância das áreas para identificar a população vacinada e os bolsões de suscetíveis, contribuindo para uma avaliação mais minuciosa das coberturas vacinais e localização rápida das pessoas sem vacina.
Para que o serviço de saúde garanta uma excelente cobertura vacinal, faz-se necessárioo cumprimento de uma série de condutas e o planejamento de ações que incluam desde a gestão e a estrutura da unidade até a administração de imunobiológicos. Evidências de perda de oportunidade de vacinação e sua contribuição para o não alcance das metas de cobertura vacinal preconizadas pelo Ministério da Saúde, aliadas à escassez de informações sobre perda de oportunidade de vacinação nos municípios, surgem como ameaças de doenças tidas erradicadas, como sarampo e poliomielite, que tanto nos causam preocupações.
Nesse sentido, urge reiterar aos pais e responsáveis pelas crianças não vacinadas, mesmo que pairem dúvidas se estão ou não vacinadas, sobre a premência de procurar uma unidade de saúde, preferencialmente a mais próxima de casa, portanto o cartão de vacinação dos menores para que o enfermeiro tome as providências terapêuticas cabíveis. Todo cuidado é pouco quando se trata de imunização (vacinação) das crianças, adolescentes e adultos jovens de hoje, posto que são pessoas que não tiveram o dessabor de conviver com as dores e sofrimentos decorrentes das sequelas do sarampo ou da paralisia infantil (poliomielite).

Por Dr. Willian Machado

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