“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc10,33) III

Quarta, 25 de Março de 2020.

  Nessas três últimas quartas-feiras temos refletido sobre a Campanha da Fraternidade, que a Igreja do Brasil, há mais de cinquenta anos, promove no tempo da Quaresma. O tema desse ano “Fraternidade e vida. Dom o compromisso.” nos chega através do lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc10,33). A cada semana refletimos sobre cada um dos verbos: ver, sentir e hoje cuidar. E coincide, lamentável e, também, oportunamente com a pandemia do corona vírus que se alastrou no mundo inteiro. Tempo de cuidado!
A dimensão do cuidado remete à prática transformadora da compaixão que é despertada por um olhar que se deixa tocar pelos apelos da realidade. Reforçar ações em direção a uma Igreja comprometida com vida, por ser essa a auto identidade de Jesus e consequentemente a de seus seguidores: “Eu vim para que todos tenham e vida em abundância” (Jo 10,10). E aqui, em consonância com os quatro pilares da comunidade descritos nas DGAE-Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora: Palavra (Iniciação Cristã e animação bíblica da vida e da pastoral), Pão (liturgia e espiritualidade), Caridade (serviço da vida) e Ação Missionária (estado permanente de missão).
Não faltam documentos e reflexões para nortear o percurso pessoal e comunitário que a Igreja do Brasil sugere para a Quaresma deste ano de 2020. O próprio Magistério do Papa Francisco é pródigo em oferecer caminhos de ousadia, coragem e desprendimento a todos aqueles que desejam se aprofundar na radicalidade cuidadosa proposta no Evangelho. Mais do que oferecer novidades, esta breve reflexão tem como objetivo principal aguçar o nosso ser cristão para vivermos de forma comprometida e encarnada as provocações que Jesus apresenta ao contar a Parábola do Bom Samaritano.
O Bom Samaritano deu o terceiro passo: cuidou daquele que estava caído no caminho. Penso que vivemos a hora do duplo cuidado: auto cuidado e cuidar! Quão oportuno, útil e consequente tem sido a ordem: “Ficar em casa”! Prevenir-se da contaminação e não contaminar. Uma atitude ética, humanitária e cristã. E aproveitar desse tempo no lar para retomar valores que o dia a dia tem-nos feito descuidar: atenção à família, carinho recíproco, diálogo construtivo, oração em comum, auxílio mútuo,... Mas, igualmente, o cuidado dos demais. Ficar em casa para não contaminar os demais ou ser motivo para que os que estão contaminados venham para as ruas e contaminem os demais.
O tempo difícil que atravessamos deve-nos abrir ainda mais o coração para além das paredes de nossos lares. Devemos ter uma atitude de grata ternura por aqueles que estão obrigados a expor suas próprias vidas pela vida dos demais: os profissionais da saúde, funcionários públicos – especialmente os garis -, pessoal do comércio, polícias e seguranças, operários, domésticas,... E mais. Rezar por essas pessoas que cuidam da vida, sob o risco de serem contagiadas. Rezar com fé e gratidão. E fazermos a nossa parte para que lhes seja mais suave e precavida a missão que exercem. Não dinheiro que lhes possa retribuir a entrega de suas vidas por nossas vidas.
Enfim, crescer na capacidade de oração pessoal e familiar. Fazer no seu próprio lar a reflexão da Palavra de Deus. Estão ai os subsídios dos Círculos bíblicos, das Via-sacras e Hora Santa Eucarística. Também, os programas religiosos televisivos e radiofônicos, como a Missa em seu lar. E a reza do Terço de Nossa Senhora. E assim, concluo, minha reflexão com a Oração do Papa Francisco:
Ó Maria,
Tu sempre brilhas em nosso caminho como sinal de salvação e esperança.
Nós nos entregamos a Ti, Saúde dos Enfermos,
que na Cruz foste associada à dor de Jesus, mantendo firme a Tua fé.
Tu, Salvação do Povo de Deus, sabes do que precisamos
e temos a certeza de que garantirás, como em Caná da Galileia,
que a alegria e a celebração possam retornar após este momento de provação.
Ajuda-nos, Mãe do Divino Amor, a nos conformarmos com a vontade do Pai
e a fazer o que Jesus nos disser.
Ele que tomou sobre sinossos sofrimentos
e tomou sobre si nossas dores para nos levar,
através da Cruz, à alegria da Ressurreição. Amém.
Sob a Tua proteção, buscamos refúgio, Santa Mãe de Deus.
Não desprezes as nossas súplicas, nós que estamos na provação, e livra-nos de todo perigo, Virgem gloriosa e abençoada.
Medoro, irmão menor-padre pecador

Por Padre Medoro

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