Volta ARnaldo!

Terça, 30 de Abril de 2019.

Volta ARnaldo!

Não foi à toa que a maior autoridade em arbitragem se despediu do futebol no auge do seu conhecimento. Arnaldo César Coelho, nosso orgulho por apitar uma final de Copa do Mundo e abrir espaço na televisão para sua classe ter um novo mercado de trabalho, sabia mais do que todo mundo que, com a chegada do VAR, a regra não seria mais clara. E tratou de tirar o seu time de campo antes do Campeonato Brasileiro.
Os que ficaram, com Sandro Beiraritti, perderam a autoridade porque não cabe mais uma análise sobre as decisões, então definitivas, do árbitro central, o antigo “senhor do apito”, o protagonista daquele espetáculo. Suas decisões, humanas, de muito estudo teórico e preparo físico foram ofuscadas diante da profusão da tecnologia que se espalhou, com seus monitores e olhadores de apitos, através dos estádios.
Antes, Gabigol, depois de marcar um gol, dava uma olhada de soslaio para o bandeirinha, saber se ele correu para o meio campo ou não, pois este era o único gesto a conter sua emoção. Agora, Gabigol marca e não vibra mais. Cansou de ser palhaço de replay comemorando um feito que todos diante da telinha já sabem que foi anulado.
Volta ARnaldo, e, por favor, conselho de uma velha raposa que respira futebol, dentro e fora de campo, desde os 16 anos: varram do futebol esta bosta de VAR que, já na primeira rodada do brasileirão, se tornou a atração maior de Atlético MG x Avaí no lugar dos gols. E dos melhores lances. O programa Troca de Passes, do Sportv, durou 1 hora. E em 45 minutos cinco analistas discutiram as decisões do VAR. Ele realmente varreu de um esporte tão fascinante toda a magia que o envolvia. E ela era recheada de polêmicas, decisões certas ou erradas, mas eram decisões humanas. Agora, melhor jogar com meus netos o Fla x Flu pelo Playstation da Sony. Nele, além do Cristiano Ronaldo estar cada vez mais parecido, já vem com o VAR incorporado. Ele não erra, mas se o e rro faz parte da nossa imperfeição, que saco a vida, e o esporte nela vividos, passarem a conviver só de acertos.
Os ingleses inventaram o Tênis e o Futebol. Mas os argentinos, e a Mão de Deus, os uruguaios, que introduziram a cera, a catimba, e o Rei Pelé, com a paradinha que inventou para bater o penalti, tiraram o silêncio obrigatório das arquibancadas. E permitiram um extravasar de emoções que precisam ser contidas diante das obras de arte da raquete de Roger Federer. Para o suíço, no máximo, são concedidas palmas aos seus aces. E depois da partida, deixam a quadra e saem à procura de um psicólogo com preocupantes sinais de depressão. Algo ficou na garganta que fez mal ao coração.
Diante da velocidade que alcançou a bolinha de tênis, fugiu à percepção humana seus rumos. E a tecnologia do VAR veio ajudar. Mas no futebol, ela, a bola, continua dominada e acompanhada, de pés em pés, por todos os olhares, de todas as idades, carregando um fascínio que se alimenta da polêmica. Que leva pra casa, para os bares, opiniões distintas sobres decisões definitivas. Tomadas ali, no ato, de fato, não sujeita a uma verdade que ninguém alcança. E buscada no exato momento da sua comoção.
Volta ARnaldo. E torne a regra clara como era antes.

Por José Roberto Lopes Padilha

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