A era da inteligência artificial e os exames de imagem

*André Kinder

País - (Saúde) - Sábado, 01 de Junho de 2019.

Desde a realização da primeira radiografia, em 1895, pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen, os exames de imagem avançaram e revolucionaram tanto o diagnóstico como o acompanhamento terapêutico de diversas doenças, auxiliando na detecção, no estadiamento, na monitoração e na terapêutica, fazendo com que a especialidade em Radiologia tenha um papel cada vez mais relevante na Medicina, à medida que a população envelhece e apresenta mais comorbidades e convive durante anos com diversas doenças que antes tinham um prognóstico reservado.
Seria inimaginável para os residentes em Radiologia da década de 70, atualmente nossos professores, que em trinta anos os exames e procedimentos que eram o dia a dia da especialidade seriam praticamente abolidos e que as principais atividades de diagnóstico por imagem seriam realizadas em aparelhos completamente digitais, com uma qualidade de imagem infinitamente melhor, quase que anatômica, como os tomógrafos multi-slice e as ressonâncias magnéticas de alto campo.
Com a revolução tecnológica que vivenciamos e a ascensão, por vezes assustadora, da inteligência artificial (IA), não há dúvidas que a especialidade novamente mudará. Assim como mudou desde a realização da primeira radiografia, do advento da computação e do desenvolvimento da internet.
Os médicos radiologistas e os tecnólogos em Radiologia não são e nem serão os únicos profissionais que terão que se readaptar a essa nova realidade. Não há fundamento em pensar que os avanços tecnológicos deveriam ser retardados para evitar, por exemplo, a perda do emprego de um operador de caixa com a criação dos caixas eletrônicos. Ou então, evitar o avanço das análises automáticas de exames laboratoriais, já que há muito tempo deixou-se de existir a necessidade de um profissional para a contagem de hemácias.
Os principais fatos que contribuíram para esses avanços foram a abundância de dados, o desenvolvimento de redes neurais artificiais e o barateamento do hardware. Na área da imagem, os avanços da IA permitiram, por exemplo, que um drone fosse capaz de reconhecer imediatamente a imagem de alvos, sem tempo hábil para o processamento por um humano. Outro exemplo do avanço, agora na área médica, foi o desenvolvimento de software para celulares que diferenciava melanomas de outras lesões semelhantes, com maior acurácia que os dermatologistas participantes do estudo.
Frente a toda essa complexidade, não há dúvida que a implementação dessas novas tecnologias e a inteligência artificial abrigarão um novo campo de trabalho para os médicos e tecnólogos, que ao mesmo tempo terão que se readaptar. Mais do que nunca, os tecnólogos e técnicos deverão se especializar e não mais serem meros operadores manuais de máquinas de RX, tomografia, ressonância ou de outros métodos de imagem. Deverão trabalhar em conjunto com engenheiros e desenvolvedores de sistema para elaborar e aprimorar novos softwares e assim consultar e recuperar dados e informações, produzindo imagens mais fidedignas e alcançando uma medicina diagnóstica de melhor qualidade.

* Médico radiologista, coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Radiologia da FMP/Fase.

Por Redação

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