ÚLTIMAS NOTÍCIAS
ÚLTIMAS

Abril Azul: Conheça um pouco mais sobre o Mês da Conscientização do Autismo

Três Rios - (Saúde) - Sábado, 04 de Abril de 2020 às 07:00 horas.

  Abril Azul: Conheça um pouco mais sobre o Mês da Conscientização do Autismo
Ainda um mistério para a humanidade o transtorno do espectro autista (TEA), ou mais conhecido como Autismo, não é uma doença, como muitos pensam. A campanha do Abril Azul tem o papel de mostrar as características dessa condição especial, destacando que ninguém precisa se afastar de um autista. Pelo contrário: é preciso entender para incluir e ajudar.
Mas, afinal, o que é o Autismo? Segundo as doutoras Natália Rodrigues, psicóloga, e Sara Boim, fonoaudióloga, o autismo é um Transtorno do Neurodesenvolvimento, isto é, algumas funções neurológicas não se desenvolvem como deveriam nas áreas cerebrais, é um transtorno que desafia os profissionais da saúde mental infantil. As características envolvem prejuízos de linguagem, prejuízos sociais, acadêmicos, cognitivos e emocionais. Os sintomas aparecem antes dos três anos, a intervenção precoce pode melhorar as habilidades sociais e de comunicação, devido a neuroplasticidade.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge 1 em cada 160 crianças no mundo. No Brasil, estima-se que existam cerca de 2 milhões de autistas.
“Pesquisas apontam que devido a neuroplasticidade o cérebro da criança nos primeiros anos de vida tem a capacidade de se reorganizar e aprender novos recursos, por isso, para os pais é importante estar atento aos marcos do desenvolvimento infantil: se a criança não imita, não aponta, tem dificuldade no contato visual, interação social, não responde aos chamados, possui atraso na fala e na linguagem. Ressaltamos que esses são alguns sinais de alerta, por isso somente um especialista poderá realizar o diagnóstico. Não espere o seu filho fazer três anos para iniciar o tratamento, pois o quanto antes melhor”, reforçam Natália e Sara.
A Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o dia 2 de abril como Dia Mundial de Conscientização do Autismo para dar visibilidade ao tema, já que o transtorno ainda é bastante desconhecido pela população. Assim, criou-se também a campanha Abril Azul para que o mês inteiro seja marcado com diversas ações voltadas para o autismo. O autismo atinge muito mais meninos do que meninas (proporção de 4:1), fato que a ciência ainda não consegue explicar.

O Entre-Rios Jornal entrou em contato com duas mães que sabem bem como é viver com o Autismo e contam um pouco de suas histórias, confira:
Renata Cristina: Sou mãe do João Pedro, um autista de 8 anos. Ser mãe do João me ensinou muitas coisas, porém a mais perfeita de todas foi a superação. Desde o diagnóstico aos 3 anos de idade até os dias atuais somos protagonistas da nossa história de superação. Nesse caminho chamado Autismo ou mundo azul encontramos muitos desafios, preconceitos, dores, lágrimas, mas aos poucos fomos superando todas as dificuldades, dia após dia. Eu vivi por muito tempo a fase do luto, mas percebi que em um determinado momento era necessário sair do luto para a luta. Iniciamos todo acompanhamento multiprofissional com fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional, equoterapia, escola, natação e psicopedagoga. Aos poucos fomos ao cinema, teatro, as festas de aniversário, aos parques, aos museus, ao zoológico e muito mais. Assim também como fui inserindo ele nas atividades de vida diária. Ser mãe do João Pedro, além de ser um presente é um orgulho imenso por ele ser essa criança especial em todos os sentidos. Uma criança alegre, feliz, hoje mais interativa e comunicativa. Me orgulho em vê-lo crescendo e se desenvolvendo com tantas habilidades que eram consideradas impossíveis para muitos. As incertezas e os medos sempre vão existir, porém não me detenho a eles. Meu objeto é o pleno desenvolvimento do meu filho. O diagnóstico é só um detalhe, pois ''Eu, meu filho e o autismo'' superamos cada obstáculo. E se chegamos até aqui foi graças a Deus, aos amigos, aos terapeutas, aos médicos e a força de que podemos chegar ainda muito mais longe. É isso que nos motiva a continuar sempre. Sou imensamente grata em ajudar meu filho, poder ajudar também outras mães e outras crianças autistas.


Luciane Motta: Ser mãe do Cauan e ter um instituto de mãe protetora, dar colo e ao mesmo tempo o deixarele seguir independente. É o deixar correr atrás de suas conquistas e admirar o seu crescimento todos os dias agradecendo por cada ponto positivo na sua vida.

Por Zeca Lima

Publicidade