Com quase nove anos Projeto Esporte RJ de Futebol e Futsal Feminino é destaque na região

Treinador Luciano Lima conta como é lidar com os treinos e o preconceito contra o futebol feminino

Três Rios - (Esporte) - Sexta, 11 de Janeiro de 2019.

Com quase nove anos Projeto Esporte RJ de Futebol e Futsal Feminino é destaque na região

Em meio ao gramado sem gênero as meninas se destacam com um jogo tão bom quanto o do futebol masculino, mas que ainda percorre um tortuoso caminho de preconceito que afeta não só Três Rios como também outros lugares do país e até do mundo.
Nadando contra a correnteza em meio ao gramado existe uma resistência. Conhecido como Esporte RJ, focado em Futebol e Futsal Feminino, o projeto teve início há oito anos com uma menina de Bemposta que deveria ser treinada. O treinador Luciano Lima conta que achou incomum o pedido, pois estava bem no começo da profissão, mas aceitou a oferta, o que levou para frente o projeto conhecido hoje. Esse caminho percorrido chegou a ter 28 meninas que se tornaram bicampeãs no estado do Rio de Janeiro no Futsal e hoje já somam 35 alunas no total.
Como o campo era difícil de ser encontrado e dispendioso, Luciano optou, na época, por fazer parte do futsal, mesmo sem nunca ter treinado meninas nessa modalidade.
Foi após pedir ajuda a Secretaria de Esporte de Três Rios, que o projeto se destacou e gerou o time que se tornou bicampeão fluminense. Desde então o projeto nunca parou.
Esporte RJ hoje é centro em toda região. A Julia, por exemplo, já foi jogar no Volta Redonda, teve também outras que foram jogar no Vassouras, Botafogo e até saíram do Brasil. Foram ao todo seis meninas que saíram do projeto para representar o Paraíba do Sul Futebol Clube.
Sobre as dificuldades enfrentadas, Luciano conta sobre tentar reunir todas para os treinos. “Algumas trabalham, estudam ou têm compromissos nos horários do treino que são à tarde às 15h30. O futebol é nas segundas-feiras e sábado, o futsal é nas quartas-feiras. Só o futebol de campo é de manhã, às 9h30 e nessa modalidade as meninas jogam contra os meninos, mas encontrar um horário e dia compatíveis para todos é muito difícil”.
Sobre as dificuldades enfrentadas no dia a dia, o treinador aborda o preconceito e a falta de apoio: “Hoje temos um grande apoio da Secretaria de Esporte de Três Rios que enxerga o projeto como inclusão, porém ainda é incomum ver empresários e patrocinadores apoiando o futebol feminino. Eles podem até gostar de assistir, mas ainda não abraçaram a ideia. Ainda há àquele preconceito interno da família também. Não tem aquele apoio de dar uma chuteira, levar no treino ou até pagar uma escolinha particular para uma menina, tal como acontece com os meninos.”
Quando Luciano começou com o projeto ouviu certa vez uma frase: “Já vai o Luciano com suas meninas! Quer dizer, com seus meninos, ou meninas. A gente nunca sabe.”
Por toda essa caminhada, momentos como esses foram sendo abandonados pelo incentivo daqueles que assistem nas arquibancadas do campo do Entrerriense enquanto as meninas jogam.
Sobre as equipes rivais que as atletas atuais já enfrentaram estão: Vassouras, Duque de Caxias, Volta Redonda, Sapucaia, além de outros jogos na região.
O projeto é do governo do Estado do RJ e conta com o apoio da Secretaria de Esporte de Três Rios e o apoio do Entrerriense Futebol Clube, tendo Luciano e Luiz, que auxiliam as meninas nos treinos.
O Projeto Esporte RJ do governo do Estado conta com a Ecoos Projeto Social, ONG que abraça o projeto do futebol RJ.

A zagueira Camile de Oliveira
A veterana e zagueira do Esporte RJ, há mais de quatro anos no projeto, Camile de Oliveira não pensa em largar o futebol mesmo após ter passado da idade limite do projeto, e hoje com seus 31 anos continua firme e forte, incentivando a todas as novatas. Para ela o conceito de esporte é por satisfação e bem-estar, e conta que não pensa em se tornar jogadora profissional, mas caso fosse chamada, pensaria a respeito. Ela conta que mesmo diante de tudo que passou nos treinos ainda existe o preconceito por idade, dentro de casa e até pelo simples fato de ser mulher. Mesmo após passar por duas maternidades Camile pensar em jamais deixar o futebol. A veterana auxilia Luciano nos treinos também e conta um pouco sobre o treinador: “Luciano é uma grande pessoa, excelente treinador, corre atrás e se esforça por todas nós. Enfrenta o preconceito de frente e nunca nos deixou na mão. É um verdadeiro exemplo de dedicação”.

Como participar?
Quem quiser treinar pode comparecer no Entrerriense às segundas-feiras, às 15h30, e aos sábados, às 9h30, ou ir ao Complexo Três Rios, antigo Social Olímpico, às quartas-feiras, às 15h30, e preencher a ficha de inscrição. Para as aulas gratuitas e preciso ter entre 7 a 29 anos.

Por Zeca Lima

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