Conheça os membros da Feira de Artesania do Pilões

A única feira que trabalha com materiais de reuso da região

Três Rios - (Entretenimento) - Sábado, 19 de Janeiro de 2019.

Conheça os membros da Feira de Artesania do Pilões Da esquerda para a direita - Jaqueline Teles e Andrea Phebo

A Feira de Artesania do bairro Pilões foi criada com o intuito de tratar sobre o empoderamento de mulheres e artesanato com design diferenciado a partir do reuso de materiais descartados como: plástico, tecido, madeiras, ferro, vidro e até materiais naturais tratados e utilizados com consciência e respeito ao meio ambiente (como bambu, taboa, argila, sementes). Parte da renda da Feira vai para a Cooperativa de Artesãs dos Pilões.
A Artesania Pilões faz parte do Projeto Plástico Vivo, que é um projeto socioambiental que visa a realização de sonhos através da coleta seletiva de plástico e busca transformações sociais no bairro Pilões.
Várias atividades lúdicas, com enfoque em ecologia, cultura, esporte e crescimento pessoal, são desenvolvidas dentro do Projeto. Faz parte da Educação Ambiental e Integral do SER.


Para quem ainda não conhece o próximo evento, a 4ª Feira de Artesania Pilões será no dia 10 de fevereiro, um domingo, assim como todas as vezes que houve o evento. Ela acontece das 10h às 18h. Funciona no Espaço Mangueira, na Estrada Pilões.

Andrea Phebo conta um pouco sobre como tem sido ser membro fundadora do projeto da Feira de Artesania Pilões, ao lado de Jaqueline Teles:
ERJ: Quais são as dificuldades encontradas hoje para quem trabalha com esses materiais?
Andrea Phebo: Pesquiso esse material para criar móveis e objetos. Trabalhar com esse material específico é um desafio.
ERJ: Como é trabalhar com essas peças?
Andrea Phebo: As tiras para tramar são pequenas e precisam de muitas emendas. Normalmente são peças únicas, o que valoriza o trabalho. Como sou designer de formação e atuação para mim é muito prazeroso estimular a pesquisa e a produção local.
ERJ: O que lhe incentiva a trabalhar com artesanato?
Andrea Phebo: Descobrir talentos e potencializar talentos é muito estimulante.
ERJ: Quais foram os desafios para a criação da feira?
Andrea Phebo: O desafio maior foi quebrar o preconceito de levar as pessoas para os Pilões, pois o bairro conhecido por ser violento e também é um bairro rural e afastado do centro, o que para muitos não é atrativo. Agora esses paradigmas foram quebrados. As pessoas estão descobrindo os encantos do bairro e as muitas pessoas talentosas que moram por lá.
ERJ: Além de todo esse processo, você trabalha diretamente com outra pessoa?
Andrea Phebo: Minha mãe, Vanda, de 87 anos. Ela é muito talentosa nos trabalhos manuais aí propus que ela participasse. Produzindo peças diferentes que não se encontram em todo lugar, utilizando o crochê de sacola plástica e também usando tiras de lycra.
ERJ: Qual é o objetivo da feira?
Andrea Phebo: O objetivo do Projeto Artesania Piloes é levar para o bairro, turistas e com isso aumentar a renda dos seus artesãos e comerciantes. Além disso, possibilitar que os artesãos locais tenham uma atividade lúdica, produtiva que possibilite renda e também ajudar a tirar muitas pessoas da depressão.
ERJ: A Feira tem apoio de quais órgãos e pessoas?
Andrea Phebo: No momento temos apoio de voluntários do próprio bairro e voluntárias do centro de Três Rios. A Feira possibilita alguma renda para o Projeto funcionar. A prefeitura através do departamento de esportes e lazer levou em duas feiras estagiárias para fazer recreação com as crianças. Escolas de dança da região levam seus alunos para se apresentar e músicos da região se apresentam por enquanto de graça contribuindo com o Projeto. Temos uma casa que se chama Espaço Crescer, onde as segundas feiras a artesã do Artesania a Libia, dá aulas de artesanato para crianças e mulheres do bairro, como voluntária, e temos uma turma de adultos do bairro que fazem aula de alfabetização com a professora e Diretora da Escola Municipal do bairro, que vai até este Espaço para voluntariamente dar aula: a Valéria Ragazzi. Essa casa foi oferecida por uma moradora do bairro para que ocupássemos com as oficinas e para guardar os materiais de descarte que recebemos é distribuímos para quem deseja fazer artesanato, que foi a idealizadora do Projeto Plástico vivo de coleta seletiva de plástico no bairro e que deu origem ao Projeto Artesania.
A equipe é composta por vários artesãos locais que se criam e recriam trazendo novidades e criatividade a cada momento para produzir novos objetos.
Dentre eles está Reinaldo Rodrigues, que se redescobriu usando um material muitas vezes descartados, os paletes. Em suas mãos eles se transformar em móveis. Em uma conversa com o Entre-Rios Jornal ele conta sobre o processo de criação, confira:
ERJ: Reinaldo, como conheceu a Feira de Artesania Pilões?
Reinaldo: Sou vizinho da idealizadora do projeto. Quando a feira começou, eu estava começando a fabricação dos móveis de paletes.
ERJ: Há quanto tempo produz esse artesanato?
Reinaldo: Há um ano.
ERJ: Quais são as dificuldades encontradas hoje para quem trabalha com esses materiais?
Reinaldo: Matéria prima, desvalorização do produto e limitações de clientes.
ERJ: Como é trabalhar com essas peças?
Reinaldo: Pra mim, além do trabalho é uma terapia ocupacional, pois sofri um acidente há 10 anos onde perdi mobilidade e capacidade de locomoção.
ERJ: Tem alguma experiência sobre o assunto que queria passar para nós?
Reinaldo: A experiência que tenho pra passar é a do crescimento pessoal, do renascimento produtivo que o trabalho com artesanato trouxe para mim.

Maria José sabe bem o que é trabalhar com artesanato. Há três anos ela vive essa experiência e cria bancos usando embalagens grandes de maionese. Ela tem apoio da filha Cleidiana e nos conta agora os pontos bons e as dificuldades para quem vive dessa arte:
ERJ: Como conheceu a Feira de Artesania Pilões?
Maria José: Através da Jaqueline que faz parte do grupo Artesania Pilões.
ERJ: Há quanto tempo produz esse artesanato?
Maria José: Há três anos.
ERJ: Quais são as dificuldades encontradas hoje para quem trabalha com esses materiais?
Maria José: As dificuldades são locais para vender o nosso trabalho.
ERJ: Como é trabalhar com essas peças?
Maria José: Gratificante. Arte é vida. O artesão precisa de um lugar para vender e a feira Artesania Pilões nos permite isso. A feira já é referência, abre portas para muitas pessoas. Eu agradeço a cada um do projeto Artesania Pilões por me permitir fazer parte dessa grande família. Obrigada a todos.
ERJ: Tem alguma experiência sobre o assunto que queria passar para nós?
Maria José: Artesanato de reuso é a forma mais linda de cuidar do próximo.

Com sua arte delicada através do reuso de papel de revistas e jornais, Neide Aparecida se destaca por montar objetos com grande durabilidade e sem agredir a natureza:
ERJ: Como conheceu a Feira de Artesania Pilões?
Neide: Através da Simone que passou na Praça São Sebastião, onde estava expondo minhas peças e me convidou para participar.
ERJ: Há quanto tempo produz esse artesanato?
Neide: Há três anos.
ERJ: Quais são as dificuldades encontradas hoje para quem trabalha com esses materiais?
Neide: Aqui na minha cidade são o lugar para venda e o artesanato que não é valorizado.
ERJ: Como é trabalhar com essas peças?
Neide: Muito valioso. Um experiência única.
ERJ: Tem alguma experiência sobre o assunto que queria passar para nós?
Neide: Quando trabalhamos com o que gostamos é muito satisfatório, e amo o que faço.

Outro artesão que utiliza papel em suas criações é Márcio Guedes, com técnicas do reuso do papel machê ele desenvolve desde colares até objetos maiores como fruteiras e potes:
ERJ: Como conheceu a Feira de Artesania Pilões?
Márcio Guedes: Através de um amigo chamado Madson, dono da Oficina de Palet.
ERJ: Há quanto tempo produz esse artesanato?
Márcio Guedes: Trabalho com papel marchê há alguns anos mas só agora que venho aprimorando essa técnica há mais ou menos um ano.
ERJ: Quais são as dificuldades encontradas hoje para quem trabalha com esses materiais?
Márcio Guedes: As dificuldades são em criar as peças, pois o papel marchê requer muita criatividade, talento, disposição e gostar realmente do que faz.
ERJ: Como é trabalhar com essas peças?
Márcio Guedes: É de um prazer muito grande você pegar o que foi descartado para o lixo e transformar em peças únicas, ver a reação das pessoas em saber que essas peças vieram do reuso.
ERJ: Tem alguma experiência sobre o assunto que queria passar para nós?
Márcio Guedes: A experiência é que todos tenham o mesmo foco e que reciclar é preciso para o bem do nosso planeta. Isso não é lixo, mas sim luxo.

Conhecida por produzir bombons maravilhosos pela feira de Artesania dos Pilões, Andreia Paulino descobriu uma forma de criar embalagens através do reuso de materiais descartáveis. A ideia não só deu uma cara inovadora aos seus produtos como nos é possível ensinar que delicioso é reduzir os danos ao nosso planeta:
ERJ: Como conheceu a Feira de Artesania Pilões?
Andreia: Conheci através da Jaqueline, também responsável pela feira.
ERJ: Há quanto tempo produz esse artesanato?
Andreia: Eu já fazia bombons caseiros há uns três anos por encomenda. Depois me sugeriram a ideia de criar embalagens de garrafa pet descartadas.
ERJ: Quais são as dificuldades encontradas hoje para quem trabalha com esses materiais?
Andreia: Não vejo muita dificuldade porque trabalhamos em equipe, uma sempre ajuda a outra até nas ideias.
ERJ: Como é trabalhar com essas peças?
Andreia: Para mim foi um aprendizado. Encontrar na garrafa pet novas possibilidades foi incrível.
ERJ: Tem alguma experiência sobre o assunto que queria passar para nós?
Andreia: Estou adquirindo agora experiência profissional com o Artesania Pilões como doceira, para que outras pessoas conheçam o meu trabalho.

Guilherme Caldas é conhecido por trabalhar com bambus, mas não de qualquer forma, sua principal criação nesse processo de artesanato é com lamparinas e abajures:
ERJ: Como conheceu a Feira de Artesania Pilões?
Guilherme Caldas: Participando desde a primeira feira. Andréa, em sua pesquisa dentro do grupo de bambuzeiro me seduziu com sua proposta de feira.
ERJ: Há quanto tempo produz esse artesanato?
Guilherme Caldas: O trabalho com bambu foi um processo de aprendizado de oito anos. Muito trabalho e experimento até chegar a produzir essas peças. Manejo o bambu, trato para alterar a coloração, desenvolvo com ferramentas e faço com muito amor.
ERJ: Quais são as dificuldades encontradas hoje para quem trabalha com esses materiais?
Guilherme Caldas: As dificuldades são as barreiras do real conhecimento da principal matéria prima. Outro é a necessidade de ter produtos com uma certa “linha de montagem”.
ERJ: Como é trabalhar com essas peças?
Guilherme Caldas: Todo artesanato requer disciplina e aprofundamento com a diversidade de materiais. Montar uma equipe e transferir conhecimento são a maior dificuldade.

Utilizando lycra descarta de biquínis de fábricas do município de Três Rios, Simone Carvalho explica como surgiu a ideia de tal produção e seu incômodo com o material que vinha sendo descartado em grande quantidade. Foi com esse incômodo que teve a brilhante ideia de seus objetos:
ERJ: Como conheceu a Feira de Artesania Pilões?
Simone: Eu trabalhava em uma fábrica de biquíni e via o descarte, enquanto cortava o tecido e ficava incomodava porque eram pedaços grandes que eram desperdiçados e pensei: “Poxa, com isso é possível trabalhar com artesanato.” Daí comecei há seis meses, antes de sair de lá, a juntar um material. Nisso a Jaqueline me ligou e falou que tinha uma ideia de trabalhar com artesanato de reuso de materiais junto com a Andrea. Minha participação começou nessa parte, para enviar o material da lycra que iam para descartes e dando algumas sugestões que acho relevante para o projeto.
ERJ: Há quanto tempo produz esse artesanato?
Simone: Menos de um ano. Eu fazia costura, produzia bolsas e neceser, mas com material de reuso tem menos de um ano. Está sendo uma experiência nova.
ERJ: Quais são as dificuldades encontradas hoje para quem trabalha com esses materiais?
Simone: A obtenção desse material que uso não é difícil de conseguir, porém a maior dificuldade que percebo é que as pessoas ainda não dão valor a esses tipos de produtos feitos com materiais de reuso. As pessoas assimilam que esses produtos foram feito com lixo, as pessoas só valorizam os produtos de fora e isso dificulta. O preconceito em geral é o problema.
ERJ: Como é trabalhar com essas peças?
Simone: É desafiador. A lycra foi difícil de criar objetos como porta moedas ou uma neceser, pela dificuldade do material se adaptar ao que temos em mente. Sem falar que as pessoas que buscam esses produtos querem sempre criatividade. Então um produto nunca pode ser idêntico ao outro.
Para participar da feira, a pessoa como artesão deve usar obrigatoriamente material de reuso. A feira recebe muitos materiais desse tipo, porém Adrea ressalta que é necessário ter criatividade. O material precisa ser de reuso e único, só participa como artesão quem consegue juntar essas duas modalidades. As peças da feira são sempre novidades. A cada domingo novas peças com detalhes ainda mais instigantes.

Por Zeca Lima

Crédito da Foto: Andrea Phebo

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