Contos de alunos de colégio em Três Rios dão vida ao livro "Depois da viagem"

O professor Fabrício Pacheco desenvolveu o trabalho em sala de aula para incentivar a leitura. Mais duas obras estão em fase de conclusão

Três Rios - (Polícia) - Sábado, 15 de Junho de 2019.

Contos de alunos de colégio em Três Rios dão vida ao livro

O professor Fabrício Gonçalves Pacheco, com a ideia de que outras pessoas deveriam conhecer os trabalhos que surgem nas salas de aulas, desenvolveu o projeto "Depois da viagem". O professor é formado em Letras e Literatura com especialização em Literatura e Cultura e Literatura Contemporânea e há oito anos trabalha com língua portuguesa, especificamente com ensino fundamental e médio.
“Tinha muita vontade de produzir uma coletânea de texto com os alunos. Já tive a experiência de participar como autor em livros desta natureza, em três diferentes momentos, e sei que poderia provocar uma mudança substancial na vida de alguém”, disse o professor.
Dando aula no Colégio Estadual Guilhermina Guinle, Colégio Santo Antônio e Colégio Elite, no quarto bimestre do ano passado ele pediu que os alunos do Santo Antônio lessem o livro “Viagem ao centro da terra”,uma versão adaptada para quadrinho, de um clássico do Júlio Verne, que eles aproveitassem aqueles personagens e cenários e que produzissem um conto para que construíssem um livro.
Foi assim que nasceu o “Depois da viagem”, que segundo o professor Fabrício, teve um resultado surpreendente. Com o sucesso, mais dois livros estão sendo produzidos, um com alunos do Colégio Santo Antônio e outro com os do Colégio Estadual Guilhermina Guinle.
Na entrevista a seguir você confere todos os detalhes desse trabalho, que incentiva a leitura, a escrita, cultura, arte, ação e criatividade.
Entre-Rios Jornal: De onde veio a ideia de fazer esse trabalho com as crianças?
Professor Fabrício Pacheco: Eu sempre achei que outras pessoas deveriam conhecer os trabalhos que surgem na sala de aula. Há textos muito bons; além disso, foi uma maneira de transformar aquela tarefa escolar em um trabalho que faça sentido. Para que produzir uma narrativa? Neste caso, não foi só para ganhar nota. Queria criar uma oportunidade para eles registrarem esse material, e também incluir a comunidade escolar. Acabei acertando quando tentei alinhar muitos propósitos em um único trabalho.
ERJ: Como o trabalho foi desenvolvido?
PFP: Sempre tive a necessidade de promover a leitura, e nos últimos anos, adotei como prática utilizar o livro paradidático com a maior frequência possível. Na ocasião do quarto bimestre do ano passado, os alunos teriam que ler o livro “Viagem ao centro da terra”, uma versão adaptada para quadrinho, de um clássico do Júlio Verne. Pensei então na proposta de continuar viajando naquele universo. Pedi aos alunos que aproveitassem aqueles personagens, aqueles cenários e que produzissem um conto para construirmos um livro. Dei o nome de “Depois da viagem”, e o resultado foi surpreendente.
ERJ: Quando este projeto aconteceu?
PFP:Foi uma correria, mas aconteceu durante o quarto bimestre de 2018. Em meio aos compromissos tão importantes que envolvem as escolas neste período (avaliações, recuperações e reuniões).
ERJ: Quantas turmas participaram desse projeto e quais as idades dos alunos?
PFP:Participaram duas turmas do oitavo ano do ensino médio. Eles tinham em média 14 anos e as turmas tinham mais ou menos 30 alunos cada. Eles respondiam bem as tarefas, construímos um relacionamento muito saudável e eu percebi neles essa criatividade que merecia ser vista.
ERJ: Após o trabalho concluído, como surgiu a ideia de torná-lo um livro?
PFP: Já pedi o texto com a finalidade de transformá-lo em livro. Esperei que os textos fossem criativos e realmente foram. Conhecia a autopublicação, mas ainda não havia experimentado. Autopublicação é como se você fosse sua própria editora, você pode criar o que quiser e transformar isso em um livro. Essa autonomia sempre me agradou. O site que usei foi o “clube de autores”. Lá você posta o arquivo, faz as opções de edição, e hospeda o livro que já fica disponível para a compra. A vantagem é que eles imprimem por demanda, ou seja, a pessoa pede um livro, eles imprimem e entregam. Tira a responsabilidade de vender muitos exemplares, e ainda posso deixá-lo lá, sem nenhum custo. Foi o ideal para este projeto.
ERJ: O “Depois da viagem”, tem quantas páginas e quantos contos?
PFP: O livro ficou curto, com 75 páginas. Pedi que os alunos fizessem o texto em dupla. Tivemos ainda a participação especial de dois textos de professores e um texto da coordenadora pedagógica. São 25 contos. Dividi o livro em cinco partes. Na primeira parte, contos que falavam sobre a origem dos personagens; na segunda parte, contos que imaginaram outro final para a história; na terceira parte, contos que traziam outras explicações para as viagens; já na quarta parte, os contos mostraram outras viagens feitas pelos personagens. Fechando o livro, incluí uma parte “bônus” com a participação dos professores (um texto meu e um texto da professora Ingrid Nóbrega) e um texto da coordenadora (Márcia Fernanda Lúcio).

ERJ: Então, o “Depois da viagem” foi feito com contos dos alunos e organizado por você?
PFP: Sim. O trabalho de autopublicação é intenso, tudo fica a cargo do próprio autor, ou do organizador, que é o meu caso. Mas eu sinto como algo positivo. Conheci melhor esse processo editorial, consigo me preparar melhor agora para novos projetos.
ERJ: O desenvolvimento do projeto até sua finalização durou quanto tempo?
PFP: Se a gente pensar na leitura prévia que eles fizeram e no tempo para produzirem, acredito que isso durou umas quatro semanas. Neste caso especificamente, a leitura era curta, por se tratar de uma versão adaptada do livro “Viagem ao centro da terra”. Depois dos textos prontos, ficou comigo o trabalho de fazer o livro. Fiquei uma semana debruçado sobre aquele projeto. Não tinha experiência em diagramar, agrupar os textos de modo a fazer algum sentido, ou até mesmo em criar uma capa. Criei duas capas, na verdade, e os alunos votaram a melhor.
ERJ: Houve lançamento dessa obra?
PFP: Infelizmente não houve lançamento. O processo de impressão e entrega do livro aconteceu muito perto do fim do ano letivo. Tive tempo de levar um exemplar para eles verem impresso. Eles autografaram, em uma comemoração muito tímida, em sala de aula mesmo, mas muito significativa.
ERJ: O “Depois da viagem”, pode ser adquirido? Como a pessoa faz para comprar? Qual valor?
Sim. O livro está hospedado no site “Clube de autores” no link https://www.clubedeautores.com.br/livro/depois-da-viagem#.XQP-fERv80O. Quem preferir pode também acessar o site fazer uma busca digitando o nome daobra “Depois da viagem”. Vale ressaltar que ele tem o subtítulo de “Antologia de contos inspirados na obra de Júlio Verne”. O valor varia, o site costuma fazer algumas promoções, mas custa em médiaR$ 33.
ERJ: Quem custeou o livro?
PFP: Este esquema de publicação por demanda não exige nenhum investimento. O livro fica exposto e caso alguém peça, eles imprimem para atender àquele pedido. Uma desvantagem é o tempo de entrega, que pode durar algumas semanas.
ERJ: Este projeto teve continuidade? Como e em qual escola?
PFP: Sim. Gostei muito do processo. Este ano resolvi trabalhar com poesia. E estou com dois livros em andamento, com lançamentos previstos para julho/agosto. No Colégio Santo Antônio, uma antologia chamada “Afeto”, que tem a proposta de produzir poemas que transmitam otimismo e melhorem o olhar quem os lê. Já no Colégio Estadual Guilhermina Guinle, estou terminando uma coletânea de poemas chamada “Grito”, neste projeto pedi que os alunos soltassem a voz para desaguar em poesia o que estava entalado na garganta. Desta vez, ambos os projetos começaram com oficinas de poesia. Participei mais da confecção dos textos e recebi mais apoio das equipes, nos dois colégios. Desta vez, os livros terão registros e poderão ser vendidos sim. Registrar o ISBN, uma espécie de cadastro nacional do livro, é fundamental e já está sendo providenciado. Há uma preocupação de fazer essa experiência ainda mais significativa, e registrá-los como autores pode criar novas oportunidades. Desta vez haverá lançamentos, mas ainda temos que ter algumas informações, como o prazo de entrega da gráfica, para a divulgação.

Por Aline Carius

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