Dança Hiperativa leva atividade para crianças com TDAH e TEA

Três Rios - (Educação) - Sábado, 28 de Julho de 2018.

Dança Hiperativa leva atividade para crianças com TDAH e TEA

O Dança Hiperativa é um projeto de dança criado pela bailarina Luciana Rosa, voltado exclusivamente para crianças com TDAH (Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade), e com TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Luciana Rosa Vieira é professora de balé, com Licenciatura em dança, pela Faculdade da Cidade-Rj, e também a fundadora do projeto Dança Hiperativa, iniciado em março de 2002 na Vila Olímpica do Salgueiro.
Após nove anos no Rio de Janeiro Luciana decidiu voltar para Três Rios. No início de 2018 ela voltou para o Salgueiro por causa do Dança Hiperativa, mas era apenas no formato oficina. Foi no dia 28 de Abril de 2018 que de fato o projeto deu início em Três Rios, mais precisamente no Teatro Celso Peçanha.
As aulas acontecem todos os sábados, às 9h30, com a turminha do Autismo, e 10h15 com a turminha do Déficit de Atenção e Hiperatividade. A grande novidade é que agora aos sábados também terá uma terceira turminha, a criançada com Síndrome de Down também participa no horário das 11h15.
As aulas acontecem no espaço cedido pelo Grupo de Amadores Teatrais Viriato Corrêa (GATVC), no Teatro Celso Peçanha e são gratuitas.
O conteúdo é adequado às características dos transtornos. Por exemplo, para aula dos TDAH o conteúdo é estimular a criatividade. As aulas para o público do TEA e Síndrome de Down incentivam a noção espacial e a integração entre os alunos.
As assistentes sociais que participam são Juliana Lima e Kátia Mendes, e Lavínia Bernardes é ajudante de Luciana durante as aulas. A equipe formada ajuda diretamente o projeto de forma voluntária.
Para mais detalhes os interessados devem ligar para: (24)2252-0158.
“A dança pode ser uma forma de educação, criação e livre expressão. Os alunos fazem exercícios de consciência corporal, estímulos de lateralidade e criatividade. Sou mãe de uma filha que faz tratamento para TDAH e também sou professora de balé. Resolvi estudar primeiro o transtorno TDAH para compreender melhor minha filha e agora estudo o TEA por amor aos temas. A melhor maneira de compreender minha filha foi estudando e a dança educativa é a melhor maneira que encontrei para incentivar outras famílias a aceitar os tratamentos para os transtornos”, comentou Luciana.
Em entrevista com ao Entre-Rios Jornal, Luciana falou ainda que o projeto surgiu primeiramente com a Mônica Leal, uma das mães de seus alunos, por terem estudado juntas e já se conhecerem antes. A Mônica é mãe da Meire, que é TDAH de alto rendimento, e foi nesse início que Luciana começou a conhecer de perto como a dança auxilia as crianças com esses transtornos, e ela explica como:
“Existe na dança a modalidade de dança criativa, a qual o aluno exercita a livre expressão corporal. Também a consciência do corpo e compreensão e atuação do corpo em relação com o espaço inserido. A dança desenvolve o físico, cognitivo, artístico, enfim, a dança pode nos desenvolver por completo. A criatividade é elemento importante para nosso trabalho. O objetivo é que a dança permita que o aluno possa apresentar suas características comportamentais referentes aos seus respectivos transtornos. Na Dança Hiperativa podem ser quem realmente são com suas características. Em outras modalidades alunos autistas ou hiperativos têm que atender a códigos das aulas, por não ser específicas para esse público. E com o pedido da Mônica que decidi de fato começar o projeto e a ler sobre autismo e perguntei ao médico da minha filha sobre as características do transtorno e segui estudando os conteúdos importantes para a aula.”
O Entre-Rios Jornal teve contato com duas mães de alunos da Dança Hiperativa que contaram o que estão achando do desenvolvimento de seus filhos:

Renata Cristina Coelho dos Santos, mãe do João Pedro, conta:

“Soube do projeto através de uma publicação na internet e tive expectativa de dança desde quando soube, mas confesso que me surpreendi, pois além da dança e a música percebi que as crianças se expressavam do jeitinho delas ao ouvirem. O João Pedro é um pouco resistente à alguns gêneros musicais, visto que algumas melodias o incomodam bastante . Mas, aos poucos, as outras formas de se expressar, através da música e da dança vêm fazendo ele se aproximar mais. E sem dúvida a dança hiperativa é um projeto que veio somar, e muito, à interação e à inclusão das crianças com déficit de atenção e autismo no convívio social. Acredito também que essa forma única, que eles têm de se expressar é o que torna ainda mais lindo esse projeto”.
“Tive a oportunidade de conhecer a Luciana Rosa dentro do projeto Dança hiperativa. O que posso dizer sobre ela, que é aquela pessoa corajosa, determinada e apaixonada pelo trabalho que vem fazendo. Apesar das dificuldades, ela segue em frente, e proporciona às crianças do Projeto Dança Hiperativa, oportunidades que muitos talvez não teriam por conta da deficiência. A Luciana é uma pessoa incrível, acolhedora e que veio com esse projeto lindo para ajudar nossos filhos nesse processo de inclusão na sociedade.”


Luciane dos Santos Matta, mãe do Cauan, conta:

“Eu fiquei sabendo do Projeto da Dança Hiperativa em Abril quando começou, vi a Propaganda pelo Facebook. Fiquei interessada em saber como funcionava e como ia ser esse trabalho de Dança com as crianças Autistas e de TDAH. No primeiro dia já levei o meu filho Cauan para fazer um teste e para ver se ele teria uma boa aceitação, porque não conhecíamos a professora Luciana Rosa. Os autistas tem uma dificuldade de se adaptar a um lugar e a uma pessoa diferente. E ele se adaptou muito bem com a dança, com a Luciana e com os seus amigos da dança. E a Dança Hiperativa me surpreendeu mais uma vez. Ele gosta muito de dançar e esse projeto tem ajudado a ele se soltar mais, porque ele ainda tem atraso motor e na fala. Hoje já cantarola algumas músicas.”
“A Luciana estuda a melhor maneira de passar a dança e o projeto para as crianças e para os pais. Ela passa muita confiança no seu trabalho e assistimos o resultado na apresentação no palco do Teatro no dia 21 de julho na Primeira Apresentação Pública da Dança Hiperativa. Acredito que devemos tentar e experimentar coisas novas para os nossos filhos Autistas ou com Deficit de Atenção. Novas experiências podem ser difíceis e mudar a rotina deles, mas as vezes com a persistência da família e de todos os envolvidos veremos e teremos bons resultados. Eu vejo isso aqui com o meu Cauan. Agradeço a Luciana Rosa a oportunidade em oferecer esse lindo Projeto de Dança as nossas crianças Autistas e TDAH.”

O Entre-Rios Jornal também procurou com a psicóloga e terapeuta cognitivo comportamental infantil, Natália Beatriz Rodrigues, para contar um pouco como a Dança Hiperativa pode ajudar aos pequenos com esses transtornos:
Como a Dança Hiperativa pode ajudar as crianças com TDAH e com Autismo?
Natália Beatriz - No caso das crianças com TDAH, a dança pode ajudá-las a melhorar a coordenação, atenção e concentração, as habilidades sociais, fortalecer os músculos e extravasar a energia. Com relação ao autismo, a dança pode ajudar na questão da consciência corporal, sensibilidade e interação social, entre outros benefícios.

Recomendaria essa dança, então?

Natália Beatriz - Sim, recomendo! Além de trazer tantos benefícios, a dança é uma atividade relaxante, e traz alegria e prazer para as crianças. Em especial para crianças com TDAH e autismo, que estão sempre envolvidas em diversas terapias.

Por Zeca Lima

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