Dia Nacional do Samba é celebrado amanhã

Três Rios e região não deixam o samba morrer

Região - (Entretenimento) - Sábado, 01 de Dezembro de 2018.

Dia Nacional do Samba é celebrado amanhã

Amanhã, 2 de dezembro, é celebrado o Dia Nacional do Samba, um dos mais importantes ritmos musicais do país, que nasceu na Bahia no século 19 dos batuques trazidos pelos africanos que vieram como escravos para o Brasil, e se expandiu ganhando força no Rio de Janeiro.

A data comemorativa também foi criada em terras baianas, quando o vereador Luís Monteiro da Costa, teve a iniciativa de homenagear Ary Barroso, que havia composto a canção "Na Baixa do Sapateiro", que fala da Bahia, mas nunca tinha visitado o lugar.

Em 2 de dezembro de 1960, Ary foi a Salvador pela primeira vez e data ficou marcada para sempre no calendário baiano e com o passar dos anos comemorada em vários estados.

Antes disso, em 1916 foi gravado no Brasil o primeiro samba "Pelo Telefone", de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga e Mauro de Almeida. Entre tantas histórias a serem contadas em relação a esse ritmo, uma delas é do Trem do Samba, que chega a sua 23º edição arrastando multidões no trajeto entre a Central do Brasil e o bairro de Oswaldo Cruz, na zona norte da capital, em Madureira.

Busão do Samba em Três Rios

Em Três Rios, inspirado no Trem do Samba, o ex-presidente da agremiação Bambas do Ritmo e atual proprietário do bar Benguelê, que é voltado para o samba, Dirceu Duarte, realiza hoje (1) a primeira edição do Busão do Samba.

“Quis fazer uma analogia ao Trem do Samba do Rio e criei o Busão do Samba com intuito de fazer com que as pessoas lembrem do Dia Nacional do Samba, que é o genitor de tudo, e venha comemorar no Busão. Sempre achei que faltava algo em Três Rios de comoção nesta data e hoje estamos dando início ao projeto, que eu espero que vire tradição na nossa cidade. Enquanto
Deus me der forças vou fazer o Busão do Samba, disse Dirceu.

O Busão do Samba vai sair às 12h30 deste sábado (1) do bairro Cantagalo, em Três Rios da porta do bar Benguelê e vai circular pelas principais ruas fazendo duas paradas na Vila Isabel (bar do Cebinho e bar do Rafael) e uma parada no Caixa D’ Água (bar do Jarbinha).

Com entrada gratuita, para entrar no Busão do Samba, que vai homenagear Selmarino, o Sambista Maneiro, basta fazer sinal em dos pontos convencionais, tendo vaga, é só subir e aproveitar o samba.

Após rodar pela cidade, o Busão do Samba vai voltar para o Benguelê, onde a festa vai seguir com o grupo Toque de Qualidade, Recorda Samba, Claudemir Rastafari, Duo Relicário e várias participações de sambistas da cidade e região.


O samba vive em Três Rios e região

Eventos de sambas e grupo de pagodes não deixam o samba morrer em Três Rios e nem nas cidades da região. Volta e meia, há sempre alguém se mexendo para fazer o samba crescer, ganhar novos ares e conquistar mais adeptos desta cultura.

Quando o assunto é samba, seja de raiz, enredo, canção, partido-alto,pagode, de roda, exaltação... Jorge TQ, Marquinho Nova e o grupo Recorda Samba, podem ser citados, afinal, estão sempre exaltando o gênero.


Jorge TQ

Um dos criadores do “Movimento Samba de Raiz de Três Rios”, o primeiro do interior do estado do Rio de Janeiro, Jorge Henrique Barbosa, que também é o idealizador do Quintal de Jorge, compositor de samba-enredo e faz parte do grupo Toque de Qualidade, é um exemplo de que o samba é forte em Três Rios e na região.

“Eu e grupo de amigos nos reunimos e criamos em 2015 o “Movimento Samba de Raiz” para formar novos sambistas, mão de obra para o carnaval, músicos para os grupos de pagode, passistas, entre outras funções que tivesse haver com o samba. No momento estamos parados, sem promover eventos e as oficinas, mas em 2019 vamos voltar com tudo”, falou Jorge Henrique, mais conhecido como Jorge TQ.

Outro projeto do trirriense é o Quintal de Jorge, que ele denomina como um sonho de levar o samba para todas as classes e fortalecer esse ritmo cada vez mais. “Não deixar o samba morrer é difícil, faltam parceiros que queiram abraçar a causa, mas o samba vive a cada dia. Só na região tem mais de dez grupos de pagode e os eventos de samba são bem aceitos”, explicou Jorge.

Há 15 anos no mundo do samba, Jorge TQ, que além de tocar na noite promove eventos voltados para este estilo musical, já compôs sambas-enredos, em parcerias com amigos e o irmão Fernando Barbosa, para as escolas de Três Rios e até mesmo do Rio, chegando a final da disputa da Mangueira e a semifinal da Beija-Flor.

“O samba é uma herança deixada pelo meu saudoso pai, o Lafaiete Barbosa. Vivo do samba, trabalho com samba, encontro meus amigos no samba, me desestresso no samba, levo minha família para o samba, enfim, o samba é minha forma de vida”, conta Jorge Henrique.


Marquinho Nova Era

Outro trirriense que ajuda a disseminar a cultura do samba em Três Rios e região e o Marco Cesar Elisiário, o Marquinho Nova Era, que é produtor de eventos nesta área e faz parte do grupo Nova Era.

“Fazer evento de samba é sempre um desafio na nossa região, mas tem uma aceitação muito boa tanto em Três Rios quanto na região. Trago cantores de fora que fazem sucesso e a galera gosta, enchem os clubes e cantam muito samba”, falou Marquinho.

Segundo o músico, que sempre promove eventos que movimentam os finais de semana, a região respira samba. “Nossa região respira samba, graças a Deus e o importante e não parar de levar este estilo musical para tudo que é canto”, ressaltou Marquinho Nova Era.

Desde criança que Marquinho é dedicado ao samba. “Eu nasci no samba e vou morrer no samba é uma paixão que carrego comigo e através dos eventos e do grupo Nova Era, eu a divido com o povo”, comenta.


Recorda Samba

Em Paraíba do Sul, o grupo Recorda Samba, dos sul-paraibanos José Mauricio São Severino, o Zé Bola e José Mário, o Zé Mário, tem o repertório voltado para sambas antigos e inesquecíveis sambas de enredo de todos os tempos.

“Ainda é difícil levar o samba, mais já foi pior. Antes o samba era considerado como música de malandro, de vagabundo e até mesmo marginalizado, mas hoje tem muitos lugares bacanas na região que estão dando oportunidade aos grupos de samba, que está mais vivo do que nunca”, explicou Zé Bola.

Há dez anos que o Recorda Samba anima o público de Paraíba do Sul e região. “O samba é uma alegria imensa, quando estou no samba, isso desde a década de 80, eu me sinto leve e olha que eu sou gordinho (risos) esqueço os problemas da vida, eu canto com amor e alegria”, falou Zé Bola.


Escolas de Três Rios trabalham para o futuro do samba

Dentre as agremiações de Três Rios, Bambas do Ritmo, Bom das Bocas e Mocidade Independente de Vila Isabel, pensando no futuro do samba, realizam atividades voltadas para as crianças. Escolinha de bateria, ala mirim de passista, casal mirim de mestre-sala e porta bandeira e ala mirim, estão entre as ações das escolas de samba da cidade para contribuir com a continuidade do samba e o carnaval.


Bambas do Ritmo

Em outubro de 2017, o segundo casal de mestre-sala e porta bandeira, Keila Dias e Tony Santos, começou a dar aulas na quadra da escola no Cantagalo e na casa de Keila, para os primos da porta bandeira, Ayrton e Francyele, que são irmãos.

Os ensaios, que aconteciam às terças e quintas-feiras, porém foram interrompidos devido as provas das crianças de final de ano e também pela falta de tempo do casal. Tivemos que parar, mas vamos retornar em 2019, gostaríamos de pode passar para mais crianças a arte desse bailado pelo qual me apaixonei”, contou Keila.

A vermelho de branco também tem uma escolinha de bateria, que foi criada a três anos, onde ensina a meninos e meninas, a partir dos 7 anos. Em 2018 foram 20 participantes que aprenderam a tocar algum instrumento.

As aulas, que aconteciam uma vez por semana, às terças-feiras na quadra da agremiação, agora se retornam ano que vem, já que o mestre de bateria Matheus Augusto da Silva, precisa se dedicar aos ensaios da bateria que vai para avenida.

“O objetivo da escolinha é formar novos ritmistas para nossa bateria principal de desfile e também passar um pouco da nossa cultura; fazer a criança ou quem tiver aprendendo ter mais atenção, foco e disciplina”, explicou Matheus.

A escolinha gerou frutos e alguns alunos já estão se apresentado como ritmista na bateria Puro Ritmo e vão desfilar em 2019.


Bom das Bocas

A atual campeã do carnaval vai levar para avenida no próximo ano uma ala infantil com 30 crianças de 10 a 14 anos. Segundo a coordenadora da ala, Alessandra Sanas, ainda há vagas e quem tiver interessado em desfilar pode ligar para (24) 99942-1717 ou procura-la durante os eventos na quadra da agremiação, que fica no bairro Caixa D’ Água.

“O samba é uma das maiores culturas que pode ser transmitida de geração em geração. Ele agrega respeito, amizade, conhecimento e amor ao pavilhão que cada um escolhe. A ala mirim é a renovação dentro do samba e o conceito da continuidade”, destaca Alessandra, que é porta bandeira e que liderou um projeto para ensinar o bailado do casal.
A partir deste mês reuniões vão ser marcadas para que os ensaios da ala mirim, que virá coreografada, sejam marcados.


Mocidade

A nova diretoria está investindo na ala de passista mirim da tricolorida do bairro de Vila Isabel. Com coordenação de Tatiane Monteiro, Elisa Alves e Flávio Bastos, crianças a partir dos 5 anos podem fazer parte do grupo que vem se apresentando nos eventos da escola e vai desfilar na avenida.

Meninos e meninas até 12 anos podem procurar por uma das pessoas citadas acima e dar início aos ensaios que são realizados três vezes por semana na quadra da agremiação.

“A ala de passistas mirins, além de acolher as crianças, que já amam estar no mundo do samba, é um incentivo em formar grandes passistas, rainhas de baterias e mestres-salas e portas bandeiras”, disse Tatiane.






 

Por Aline Carius

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